Moradores da Centralidade Vida Pacífica temem surto de malária devido à falta de energia eléctrica

A prolongada interrupção no fornecimento de energia eléctrica em várias zonas de Luanda e Icolo e Bengo, está a gerar crescente preocupação entre os moradores, principalmente da Centralidade Vida Pacífica, que temem o surgimento de um surto de malária, agravado pelas condições em que são obrigados a viver nos últimos dias.
Segundo contam, sem energia desde o último fim-de-semana, milhares de famílias enfrentam noites de calor intenso, sendo forçadas a manter portas e janelas abertas para amenizar as altas temperaturas. Esta exposição aumenta o risco de contacto com mosquitos, principais transmissores da malária, doença endémica no país.
Na Centralidade Vida Pacífica, a situação é ainda mais crítica, uma vez que a falta de electricidade compromete igualmente o abastecimento de água potável. Sem o funcionamento regular dos sistemas de bombagem, os moradores recorrem à compra de água, pagando entre 700 e 800 kwanzas por um bidão de 20 litros, o que agrava o custo de vida.
Além do risco sanitário, os prejuízos económicos também se acumulam. Famílias relatam a deterioração de alimentos por falta de refrigeração, enquanto outras optam por abandonar temporariamente as suas residências, procurando melhores condições junto de familiares.
Perante o cenário, os moradores apelam a uma resposta mais rápida das autoridades, alertando para as consequências que a situação pode trazer à saúde pública caso o fornecimento de energia não seja restabelecido com urgência.
Entretanto, o Secretário de Estado da Energia, Arlindo Bota Carlos, deslocou-se às zonas afectadas para acompanhar os trabalhos de reposição, na sequência da vandalização de torres de alta tensão.
Durante a visita, realizada com responsáveis da ENDE e da RNT-EP, o governante recebeu garantias de que os trabalhos decorrem a bom ritmo, com previsão de restabelecimento do fornecimento de energia eléctrica nas próximas 24 horas.
Ainda assim, a população mantém-se apreensiva, temendo que a demora na reposição possa abrir espaço para o aumento de casos de malária nas comunidades afectadas.


