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As transferências entre carteiras digitais representaram apenas 0,6% (3,1 mil milhões Kz) dos 557,4 mil milhões Kz movimentados pelo Kwik no I semestre de 2026. O dado mostra que, apesar de as transferências instantâneas continuarem a ganhar terreno, a inclusão financeira através de contas em moeda electrónica ainda não ganhou tracção. As movimentações no Kwik podem ser feitas entre bancos, ou de banco para carteiras digitais, ou de carteiras digitais entre elas ou para bancos.
Os dados da EMIS a que o Expansão teve acesso revelam que, dentro do ecossistema de transferências Kwik, mais de 38% dos montantes transaccionados (cerca de 212,7 mil milhões Kz) foram ordens feitas pelas carteiras digitais, sendo que, deste montante, 209,6 mil milhões Kz foram transferidos para contas de bancos tradicionais e apenas 3,1 mil milhões Kz tiveram como destino outras Prestadoras de Serviços de Pagamentos (PSPs) não bancárias.
Por outro lado, os bancos movimentaram 344,7 mil milhões Kz, perto de 62% das transferências. Do valor transaccionado pelos bancos, apenas 2,8 mil milhões Kz (0,8%) foram para as PSPs. Isso significa que as transferências instantâneas de banco para banco continuam a dominar as transacções na plataforma Kwik, lançada em Junho de 2023 pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para, entre outros objectivos, agilizar a inclusão financeira em Angola através de contas em moeda electrónica.
Na prática, o Kwik é o equivalente ao Pix brasileiro, que praticamente revolucionou o sistema de pagamentos daquele país e é um exemplo de forte inclusão financeira. Segundo Eduardo Bettencourt, administrador executivo da EMIS, além da componente de pagamentos e transferências, grande parte das carteiras digitais angolanas tem também o fluxo de carregamento (cash-in digital) via rede Multicaixa e outros fora da rede bancária por via de agentes.
"Nos primeiros 6 meses do ano, foram efectuados mais de 16 milhões de carregamentos [na rede Multicaixa], num total superior a 70 mil milhões Kz. Grande parte desses carregamentos é efectuada maioritariamente através do MCX Express", explicou ao Expansão. Embora as carteiras digitais registem transacções financeiras que não passam pelo Kwik, este indicador mostra, segundo especialistas, que o contributo líquido das PSPs para a inclusão financeira ainda é diminuto no país. Ou seja, dois anos depois de terem sido autorizadas a abrir contas em moeda electrónica, o peso das carteiras digitais no sistema financeiro continua marginal...



