As mudanças climáticas constituem um dos principais desafios ambientais da actualidade, com impactos directos nos ecossistemas, na economia, na saúde pública e na segurança alimentar, alertou o ambientalista e presidente da ONG Minuto Verde, Rafael Lucas.
Numa abordagem sobre o fenómeno, o responsável defendeu a adopção de medidas urgentes e sustentáveis para reduzir os seus efeitos, destacando a importância do envolvimento dos governos, das organizações da sociedade civil, das instituições e dos cidadãos na protecção do ambiente.
Segundo Rafael Lucas, as alterações climáticas manifestam-se através do aumento das temperaturas, da irregularidade das chuvas, das secas prolongadas, das inundações e de outros fenómenos extremos que afectam as comunidades e comprometem o equilíbrio dos ecossistemas.
O ambientalista explicou que, embora o clima da Terra tenha sofrido alterações naturais ao longo da história, a actual aceleração do aquecimento global está fortemente associada às actividades humanas, sobretudo à emissão de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono e o metano.
Entre os principais factores que contribuem para o agravamento do problema, apontou a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, as queimadas descontroladas, a poluição industrial, a expansão urbana desordenada e a exploração inadequada dos recursos naturais.
Rafael Lucas sublinhou que a destruição das florestas agrava o fenómeno, uma vez que reduz a capacidade natural de absorção do dióxido de carbono e liberta gases com efeito de estufa para a atmosfera, contribuindo para o aumento das temperaturas globais.
Em Angola, os efeitos das mudanças climáticas são particularmente preocupantes em regiões vulneráveis à escassez de água e à irregularidade das precipitações.
De acordo com o ambientalista, as províncias do sul do país, nomeadamente Cunene, Namibe e Cuando, enfrentam períodos de seca que afectam a agricultura, a pecuária e o abastecimento de água às populações.
Em contrapartida, noutras regiões, as chuvas intensas e as inundações provocam perdas humanas, destruição de habitações, danos em infra-estruturas e degradação ambiental.
O responsável considerou que estes impactos podem ser agravados pela ocupação desordenada do solo, pela insuficiência de sistemas de drenagem, pela acumulação de resíduos sólidos e pela redução das áreas verdes nos centros urbanos.
Na vertente socioeconómica, acrescentou, as alterações climáticas contribuem para a redução da produtividade agrícola, a insegurança alimentar, o agravamento da pobreza e o deslocamento de populações, sobretudo nas comunidades que dependem directamente da agricultura, da pesca e de outros recursos naturais.
Para reduzir os efeitos das mudanças climáticas, Rafael Lucas defendeu o reforço das iniciativas de reflorestamento, a preservação das florestas, o combate às queimadas, a gestão sustentável dos recursos naturais e o incentivo à utilização de energias renováveis.
Destacou igualmente a necessidade de investir em sistemas de adaptação climática, incluindo infra-estruturas de drenagem adequadas, mecanismos de prevenção de riscos, protecção das bacias hidrográficas e práticas agrícolas mais resistentes às variações do clima.
O ambientalista atribuiu também um papel fundamental à educação ambiental na sensibilização das comunidades para a adopção de comportamentos sustentáveis e para a preservação dos recursos naturais.
Entre as medidas que podem ser adoptadas individualmente, apontou a plantação de árvores, a redução da poluição, a protecção dos recursos hídricos, a prevenção de queimadas e o tratamento adequado dos resíduos sólidos.
Para Rafael Lucas, o combate às mudanças climáticas não deve ser encarado apenas como uma questão ambiental, mas também como uma prioridade para a sobrevivência humana e o desenvolvimento sustentável.
A Minuto Verde reafirma, neste contexto, o compromisso com a promoção da educação ambiental, a sensibilização comunitária e a defesa de políticas sustentáveis que contribuam para reforçar a resiliência climática em Angola.




