Mulheres ligadas à pesca artesanal em Angola estão a ser capacitadas para transformar resíduos resultantes da actividade pesqueira em oportunidades de rendimento e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução da poluição nas comunidades costeiras.
A iniciativa está inserida no Projecto de Educação Ambiental para as Mulheres Peixeiras e Pescadoras de Angola (PEAMPPA), apresentado esta terça-feira, no Soyo, província do Zaire, durante o encontro “CPLP Azul – Mulheres, Comunidades, Mares e Oceanos”.
Segundo a responsável pelo projecto, Nilsa Colaço, cerca de 16.900 mulheres em Angola dependem directa ou indirectamente da pesca artesanal, o que reforça a importância de criar alternativas de rendimento e melhorar as práticas ambientais nas comunidades piscatórias.
O PEAMPPA tem como zona-piloto Cabo Ledo, em Luanda, onde está prevista a transformação de vísceras de pescado em fertilizantes orgânicos destinados à agricultura.
A iniciativa envolve 11 cooperativas das províncias de Luanda, Bengo e Cuanza-Norte e prevê beneficiar mais de cinco mil pessoas, através de acções de capacitação, geração de rendimento e promoção de práticas de aproveitamento dos resíduos.
Entre os objectivos do projecto está a redução dos impactos ambientais da pesca artesanal, através da recolha e valorização dos resíduos produzidos nos locais de actividade pesqueira.
O projecto prevê a recolha diária de resíduos orgânicos e semanal de resíduos inorgânicos, permitindo encaminhá-los para reaproveitamento e reduzir a quantidade de lixo que chega às zonas costeiras.
A estratégia de capacitação será desenvolvida em três fases, que incluem diagnóstico e mobilização comunitária, formação técnica e instalação de infra-estruturas, seguindo-se a implementação operacional, realização de oficinas e criação de mecanismos de sustentabilidade.
As participantes têm recebido formação em empreendedorismo ambiental, gestão de resíduos e práticas básicas de mitigação da poluição costeira, com o objectivo de reforçar o seu papel na protecção ambiental e na melhoria das condições das comunidades.
A aposta na valorização dos resíduos enquadra-se também nas políticas de gestão sustentável da pesca artesanal. Para 2026, Angola estabeleceu uma captura anual indicativa de 120 mil toneladas para este segmento e prevê medidas de educação ambiental dirigidas às comunidades piscatórias.
A implementação do PEAMPPA conta com a parceria da Administração Municipal de Cabo Ledo, dos Ministérios da Acção Social e Promoção da Mulher, das Pescas e Recursos Marinhos e da Agricultura, do Banco de Poupança e Crédito (BPC), da FAO, entre outras instituições.
A iniciativa procura, assim, transformar aquilo que actualmente constitui um problema ambiental os resíduos da actividade pesqueira numa oportunidade de geração de rendimento, sobretudo para as mulheres que dependem da pesca artesanal.




