Mussulo: sector da Saúde carece de mais infra-estruturas

Duas, das cinco unidades de saúde existentes no município do Mussulo, foram alvos de vandalização e precisam de obras de reabilitação e apetrechamento para que se possa não só garantir atendimento rápido e eficaz, como acabar com a transferência de pacientes para outros pontos da província, revelou a directora Municipal da Saúde daquele município.
“Observamos os pacientes, os mantemos em observação, mas em caso de complicação, realmente temos que fazer a transferência para o hospital municipal de Talatona e muitas vezes até para o hospital Anzacote Menezes, que é no caso da maternidade, e em alguns casos para o hospital do Prenda”, disse.
Teresa Jamba sustentou que a transferência de doentes, realizadas por via de barcos tem criado constrangimentos, por isso, entende ser importante implementar infra-estruturas equipadas com profissionais e máquinas e serviços funcionais para acabar com a dependência.
“Dentro da nossa organização como serviço, estamos solicitando, e solicitamos ao governo provincial, que tenhamos um hospital municipal aqui, porque às vezes temos casos de pacientes com afogamento, temos munícipes que morrem dentro de casa, é realmente muito difícil, às vezes o transporte dos casos é de barco, e em redes, às vezes é muito difícil”, lamentou.
A gestora disse também que tem se levado a cabo trabalhos de mobilização, conscientização aos populares para os cuidados essenciais de saúde.
Atendimento de saúde
Entre as patologias, não difere muito de outros municípios. A malária continua a liderar a lista das doenças, com 706 casos de atendidos. Doenças diarreicas agudas registaram um total de 32 casos, doenças respiratórias agudas 27 casos e 228 casos de Síndromes gripais comuns.
Teresa Jamba esclareceu que ao longo do mês foram realizadas 1.874 consultas pré-natais, com um total de 11 partos no município e 247 atendidos no planeamento familiar no município do Mussulo.
“E só para destacar, tivemos um parto trigémeo aqui no município”, anunciou.
O município debate-se com casos de desnutrição infantil, que varia de leve a grave. “Temos um total de 184 crianças atendidas pelo programa de nutrição,” avançou.
O sector da saúde, de acordo com a responsável, tem um total de 48 casos de tuberculose, onde seis estão em monitoramento. Quanto aos casos de VIH-SIDA, dos 96 casos testados nenhum caso deu positivo.
Nos três primeiros trimestres, foram vacinados dos 0 a 9 meses um total de 89 crianças.
“Vacinamos um total de 1.929 crianças. Agora, teremos a segunda rodada de vacinação contra a contra poliomielite”, afirmou.
Os casos de hipertensão também preocupam as autoridades da saúde naquela comunidade e, de acordo com a responsável, os casos registados devem-se ao consumo da água imprópria.
“Sabemos que o Mussulo não tem água potável, e a que a população consome é salgada”, frisou.
“Esta é uma questão de conservação. E notamos que temos muitos pacientes hipertensos. Temos até alguns pacientes com AVC, que estão actualmente em reabilitação no centro de reabilitação do Samba”, avançou.
Pacientes
Durante o primeiro dia de trabalho na península do Mussulo a equipa do Correio da Kianda constatou o funcionamento e atendimento na unidade hospitalar e falou com pacientes daquela unidade sanitária.
O senhor Capitango, que levou a sua filha aos cuidados médicos, contou que o atendimento é feito de forma rápida e humanizada. A preocupação consiste no encerramento da farmácia aos domingos o que lhe vai obrigar a voltar na segunda-feira para o levantamento de medicamentos.
“A dificuldade aqui no centro é que aos domingos a farmácia está fechada, tenho a receita, vamos para casa e amanhã voltar para receber o medicamento”, disse.


