O novo Instituto Oftalmológico de Luanda (IONA), em construção no município de Belas, tem conclusão prevista para Maio de 2028. A unidade vai dispor de infra-estruturas modernas, equipamentos tecnológicos de última geração e serviços especializados, com o objectivo de reforçar a capacidade de resposta aos problemas de saúde ocular em Angola.
A informação foi avançada, na última sexta-feira, pelo gestor de projectos da empresa francesa responsável pela construção de infra-estruturas no sector da Saúde e Agro-indústrias (SFEH), José Luís Almeida, durante o II Congresso do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola, realizado nos dias 8 e 9 do mês em curso, em Luanda.
José Luís Almeida frisou que a construção do futuro Instituto Oftalmológico representa um investimento estratégico para o reforço da assistência especializada na área da Oftalmologia, com vista a responder às necessidades actuais e futuras da população.
O especialista sublinhou que a construção de uma unidade concebida especificamente para cuidados oftalmológicos vai permitir adequar as instalações às reais necessidades do país.
A iniciativa, reforçou, responde à urgência de modernizar os meios técnicos e de expandir as condições de assistência especializada.
De acordo com o gestor de projectos, o acto de consignação da obra foi realizado em Fevereiro deste ano e os trabalhos de construção já estão em andamento. A conclusão da infra-estrutura está prevista para Maio de 2028.
Capacidade
Em relação à capacidade de internamento, José Luís Almeida informou que o futuro instituto vai dispor de três camas destinadas à pediatria, 19 para adultos e duas reservadas a pacientes VIP.
O complexo hospitalar vai contar com dois blocos operatórios e duas salas equipadas com a tecnologia Surgery Cube, um sistema inovador que optimiza a segurança biológica durante as intervenções cirúrgicas.
O gestor destacou ainda a inclusão de uma sala vocacionada para cirurgias LASIK, um procedimento a laser de alta precisão que corrige erros de refracção — como miopia, hipermetropia e astigmatismo —, reduzindo de forma significativa a dependência de óculos ou lentes de contacto.
O projecto contempla vários consultórios concebidos especificamente para assegurar melhores condições de atendimento, diagnóstico e acompanhamento dos pacientes, avançou o responsável.
“Estas valências vão contribuir para melhorar as condições de diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com diferentes patologias oculares”, sublinhou.
Ao abordar o tema “Construir o Futuro da Oftalmologia em Angola: O Novo Instituto Oftalmológico de Luanda”, o gestor frisou que a nova infra-estrutura se enquadra nos investimentos do Ministério da Saúde para a modernização da rede sanitária e a melhoria da assistência médica à população.
O encontro, que encerrou ontem, sob o lema “Inovar para ver melhor”, teve duração de dois dias, reunindo especialistas nacionais e internacionais provenientes de Angola, Gâmbia, Brasil e França, com o objectivo de debater os desafios e oportunidades para o desenvolvimento da Oftalmologia e da saúde ocular no país.
Durante os dois dias de trabalhos, os especialistas debateram temas de relevância científica, tais como a hipertensão grave e emergência hipertensiva, o edema macular diabético em 2026 e o panorama do retinoblastoma em Angola.
A agenda científica incluiu ainda debates sobre desporto e glaucoma, trauma palpebral, melanoma de coroide e coroidite serpiginosa, entre outras patologias.
Reforço da formação
Na ocasião, o médico oftalmologista gambiano Winston Ceesay defendeu o reforço da formação de profissionais de saúde para ampliar a assistência às populações rurais.
O especialista destacou a relevância de capacitar enfermeiros para a realização de cirurgias de catarata, desde que devidamente integrados nas competências e nos protocolos definidos para o efeito.
Para Ceesay, a escassez de oftalmologistas é um desafio partilhado por vários países africanos, o que dificulta o acesso aos tratamentos, sobretudo para os pacientes que residem longe dos centros urbanos, e exige uma distribuição mais equitativa de técnicos pelas comunidades.
Winston Ceesay sublinhou, igualmente, o contributo da inteligência artificial no diagnóstico de patologias oculares, apontando a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) e os exames de campo visual como exemplos de tecnologias que optimizam a avaliação da saúde visual.
Diante das limitações financeiras que afectam os sistemas de saúde no continente, o médico defendeu a definição de prioridades que privilegiem as doenças mais frequentes, reversíveis ou com prognósticos de tratamento mais favoráveis.
Por fim, o especialista da Gâmbia realçou que, com a construção do novo Instituto Oftalmológico de Luanda, Angola reforça significativamente a sua capacidade de prestação de cuidados especializados, passando a dispor de uma infra-estrutura moderna e dotada de condições técnicas para responder aos desafios da saúde ocular no país.




