Cazenga – Um colectivo de investigadores do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN) apresentou, terça-feira, em Luanda, a obra “O Impacto da Exploração Diamantífera no Leste de Angola”, sobre exploração diamantífera e responsabilidade social corporativa em Angola.
Cazenga – Um colectivo de investigadores do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN) apresentou, terça-feira, em Luanda, a obra “O Impacto da Exploração Diamantífera no Leste de Angola”, sobre exploração diamantífera e responsabilidade social corporativa em Angola.
A colectânea, com sete capítulos, apresenta o contexto em que as empresas mineiras actuam, desde as transformações pós-independência, guerra civil e o período de consolidação da paz, até a relação entre a actividade diamantífera e as necessidades das comunidades.
Segundo o investigador Luis Bonfim, apesar das limitações na recolha dos dados, foi possível trabalhar em 74 comunidades da Lunda-Norte, Moxico e Lunda-Sul, autoridades tradicionais, eclesiásticas, líderes juvenis e quadros dos sectores da saúde e educação.
“Algumas entidades institucionais e empresas do sector não facilitaram o acesso as informações o que dificultou a recolha de muitos dados, mas o que conseguimos colectar a grosso modo sustenta a temática”, explicou.
Por sua vez, o coordenador geral do estudo, Alves da Rocha, afirmou que a responsabilidade social no sector diamantífero continua a ser uma preocupação central.
“…Entre 2017 e 2023, o sector investiu cerca de 235 milhões de dólares em projectos de responsabilidade social, representando entre um a dois por cento dos custos operacionais das empresas, sem grande impacto ou reequacionamento”, disse.
Para o investigador Serra Bango detalhou a metodologia do estudo, baseada em entrevistas abertas e observação directa em localidades como Cafunfo, Luremo, Xamiquelengue, Satchindende, no município do Lucapa (Lunda-Norte), Samacaca, Luele e Mucamba (Lunda-Sul), áreas de influência das sociedades mineiras de Catoca, Luele, Lume e outras.
Já o investigador Wilson Chimuco destacou que, apesar da Lunda-Sul ser a província com maior volume de produção de diamantes do país, devido ao peso da mina de Catoca, os municípios do Leste apresentam índices de pobreza multidimensional acima de 90 por cento, elevada taxa de desemprego e de urbanização, associada à devastação florestal e à falta de incentivos para a actividade agrícola.
Acrescentou que o Leste do país possui uma das maiores reservas de diamantes do mundo, tendo Angola sido, em 2023, o sexto maior produtor mundial, com exportações avaliadas em mais de 1,9 mil milhões de dólares.
Os autores defenderam que a obra pretende ser um ponto de partida para o diálogo entre investigadores, empresas, instituições públicas e comunidades, no sentido de maximizar os investimentos sociais e melhorar as condições de vida das populações nas áreas de exploração diamantífera.ECC/ACS/ASS




