“O mundo todo está atrasado em relação a igualdade de género” – Flora Telo

A especialista angolana em filosofia politica, Flora Telo, disse esta terça-feira, à Rádio Correio da Kianda, que “o mundo todo está atrasado em relação a igualdade de género”.
A visão foi apresentada durante o programa Bancada Parlamentar, que abordou “o lugar do estudo do género na academia africana”, onde a especialista justificou o seu posicionamento com base no ranking mundial, que dá conta que a diferença entre os géneros diminuiu 0,1 pontos percentuais em 2024.
Entretanto, Flora Telo entende que há regiões do mundo, sobretudo em África, que apresentam maiores desafios relacionados a questão, dado o pouco investimento financeiro e de recursos humanos que se faz sobre o assunto.
As academias, que teriam um papel fundamental na promoção da igualdade de género, continua a especialista, apresentam uma “abordagem pouco cuidada e mal encaminhada”, fruto da influência das dinâmicas sociais.
“Eu considero que a academia tem um papel fundamental na abordagem de questões sociais, e género é uma questão social. Quando a academia não se mete nestas questões ou o faz de forma pouco cuidadosa, do meu ponto de vista é bastante perigoso e nada abonatório para a mudança social”, conferiu.
A também convidada ao programa, a académica portuguesa Maria Filomena, disse que apesar dos estudos já desenvolvidos sobre a igualdade de género, o tema só terá verdadeiramente lugar se houver uma mudança de mentalidade.
Atendendo as dinâmicas sociais, Filomena entende que tanto a legislação, bem como as universidades, devem adaptar-se a realidade e a contextos específicos dentro das comunidades, no tratamento do género, por ser este um tema sensível e que sugere múltiplas interpretações.
“Não é a realidade que tem que se adaptar, mas a academia e a legislação é que têm que se adaptar a realidade. O que significa que a Declaração dos Direito do Homem, que nunca refere em parte nenhuma, homem, mulher, trans ou outro, mas é para todos os géneros, na prática isto nem sequer existe porque a maioria das pessoas não consegue distinguir sexo de género”, disse.
De acordo com o Jornal de Negócios, o mundo modificou 68,5% das disparidades entre os géneros. No entanto, ao ritmo actual, serão necessários mais 134 anos – o equivalente a cinco gerações – para alcançar a plena paridade de género.
O Relatório Global sobre as Disparidades entre Género 2024, publicado pelo Fórum Económico Mundial (FEM) dá conta os cargos de topo na política e na indústria continuam, em grande medida, inacessíveis às mulheres a nível mundial.
PR reúne hoje com mulheres
E o Presidente da República, João Lourenço, vai reunir-se esta sexta-feira, 29, na tenda da Baía de Luanda, com mulheres de diferentes extractos sociais.
O encontro acontece num momento em que o Chefe de Estado tem vindo a defender maior envolvimento das famílias na educação dos jovens e adolescentes, destacando a importância do resgate dos valores cívicos e morais.
Presidente João Lourenço reúne esta sexta-feira com mulheres em Luanda
Presidente João Lourenço reúne esta sexta-feira com mulheres em Luanda



