OMS: Cabo Verde e Brasil lideram vacinas na CPLP. Angola e Timor-Leste com retrocessos

Angola e Timor-Leste lideram os alertas de retrocesso na vacinação na CPLP, contrastando com a solidez de Cabo Verde e a recuperação progressiva no Brasil, Moçambique e Guiné-Bissau, com São Tomé e Príncipe em queda.
Segundo as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para 2025 relativas à cobertura nacional de vacinação, Angola é o quarto país africano com mais crianças não vacinadas e com uma menor taxa de cobertura da primeira dose da vacina combinada contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP1), que está fixada em apenas 67 por cento, o que coloca o país entre os que apresentam valores mais baixos da região.
Esta estimativa de DTP1 indica que 454 mil crianças em Angola não têm qualquer imunidade contra estas doenças.
Apesar de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique registarem uma "recuperação parcial", estes três países, juntamente com Timor-Leste, são os quatro membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que têm um nível baixo de cobertura da terceira dose da vacina combinada contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP3).
A Guiné-Bissau mostra uma tendência de recuperação, com a cobertura de DTP3 a aproximar-se da casa dos 80-85 por cento em 2025, de acordo com o documento.
Já Angola apresenta níveis de cobertura baixos, situando-se em torno dos 50-60 por cento em 2025, bem como Moçambique, que sofreu oscilações, mas em 2025 a cobertura de DTP3 situou-se na faixa dos 70 a 75 por cento.
Por sua vez, Timor-Leste teve a menor percentagem de vacinas (8 por cento) que atingiram 90 por cento da cobertura, tendo sido esta inferior à de 2019.
Por outro lado, Cabo Verde mantém-se como grande referência nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), tendo uma cobertura "alta e estável", que regista taxas de cobertura de vacinação próximas ou acima de 90 por cento, bem como o Brasil que tem aumentado a vacinação aproximando-se dos 90 por cento da taxa de cobertura, mas tendo ainda 50 mil crianças não vacinadas.
São Tomé e Príncipe, que se encontra "em declínio", passou de uma taxa de vacinação próxima dos 95 por cento em 2010 para menos de 90 por cento em 2025.
Já as estimativas referentes à primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1) em África mostram Moçambique em 5.º pior lugar em África, com 439 mil crianças não vacinadas, e Angola na 7.ª posição, com 399 mil.
Nas 10 primeiras posições de menor cobertura do MCV1 em África, estão a Guiné Equatorial (62 por cento) e Moçambique (65 por cento).
Em Timor-Leste, registou-se a maior queda de cobertura da MCV1 na região da Ásia e do Pacífico, passando de 72 para 61 por cento. Esta queda levou a um "maior abandono, com 31 por cento das crianças que receberam a DTP1 a não receberem MCV1".
No Brasil, 250 mil crianças ainda não foram vacinadas contra o sarampo, constata-se no documento.
A vacinação contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), que é crucial para a prevenção do cancro do colo do útero, tem tido nos PALOP diferentes níveis de introdução e taxas de cobertura da primeira dose da vacina.
Segundo a OMS, na Guiné-Bissau, até 2025, ainda não tinha sido introduzida a vacina contra o HPV no plano nacional de vacinação.
Por outro lado, Moçambique, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já introduziram a vacina no calendário nacional de vacinação.
A directora da Unicef, Catherine Russell, destacou, em comunicado, que "os Governos e os profissionais de saúde ajudaram a recuperar as taxas globais de vacinação após uma queda significativa durante a pandemia da covid-19”, sublinhando que ainda existem “milhões de crianças vulneráveis, [que] continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocações e pobreza”.
Russell defende que a organização tem de tentar chegar a “todas as crianças” e que nenhuma delas “deve sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir”.



