Omunga denuncia falhas na gestão da crise pós-cheias em Benguela e exige resposta estrutural do Executivo

A organização Omunga denunciou esta Quarta-feira, 15, alegadas falhas na gestão da crise humanitária provocada pelas recentes cheias na província de Benguela, apontando problemas na organização dos centros de acolhimento e na resposta institucional às famílias afectadas.
Em carta aberta dirigida ao Presidente da República a organização afirma que a situação vivida em Benguela resulta, em parte, de fragilidades estruturais antigas, com destaque para a alegada falta de intervenção eficaz nos diques do rio Cavaco, apesar de alertas técnicos anteriores.
Segundo a denúncia, passados vários dias após a tragédia, centenas de famílias continuam em situação de vulnerabilidade, tendo perdido habitação, bens essenciais e, em alguns casos, familiares. A Omunga sublinha que, embora existam centros de reassentamento como Campismo Velho, Novo e outras estruturas na cidade de Benguela, persistem dificuldades de organização, registo e gestão das famílias sinistradas.
Entre os principais problemas apontados estão o registo desorganizado das vítimas, risco de duplicação de dados, distribuição inadequada de espaços para famílias numerosas, gestão deficiente de donativos e condições sanitárias consideradas precárias.
A organização defende que o Executivo deve assumir responsabilidades na prevenção da crise, com particular enfoque na reabilitação e reforço dos sistemas de contenção e drenagem do rio Cavaco, bem como na implementação de soluções de habitação digna para as famílias afectadas.
A carta alerta ainda para o impacto social da situação nas crianças em idade escolar, que se encontram fora do sistema de ensino devido ao deslocamento, defendendo a criação de um plano de acompanhamento pedagógico urgente.
A Omunga apela igualmente a uma intervenção coordenada do Estado para garantir respostas imediatas e estruturais, sublinhando a necessidade de restaurar a dignidade e a confiança das populações atingidas.


