Angola já realiza tratamentos de fertilidade de alta complexidade, consolidando o avanço da Medicina Reprodutiva Humana no país.
A afirmação é do especialista em Fertilização In Vitro (FIV) Emanuel Nkanga, em entrevista ao Jornal de Angola por ocasião do Dia Mundial da Fertilização In Vitro, que se assinala hoje (25 de Julho). Na ocasião, o médico revelou que acompanha actualmente 16 gestantes que engravidaram por meio de reprodução assistida numa clínica de Luanda. Segundo o especialista, que reside no Canadá, o processo envolve a estimulação ovariana, a colecta de gâmetas e a união em laboratório do óvulo com o espermatozóide, culminando na transferência do embrião para o útero. AssistênciaEmanuel Nkanga informou que, neste mês, 73 mulheres estão em tratamento, com procedimentos bem-sucedidos que visam à gestação. O especialista destacou que a Fertilização In Vitro (FIV) é uma intervenção essencial para casais com dificuldades de concepção, oferecendo uma oportunidade real de gravidez para quem enfrenta barreiras médicas ou biológicas na via natural. O médico explicou ainda que a reprodução assistida é uma subespecialidade da Medicina Reprodutiva que vai além da Ginecologia e Obstetrícia convencional. “É um tratamento de alta complexidade, no qual a união do óvulo com o espermatozoide ocorre em ambiente laboratorial, fora do corpo humano”, sublinhou o especialista em Reprodução Assistida. Duração do processoEm relação ao cronograma do tratamento, o especialista explicou que o ciclo completo — desde a estimulação ovariana até ao teste de gravidez — dura cerca de um mês, aplicando-se tanto à inseminação artificial quanto à fertilização in vitro. Segundo o médico, o procedimento apresenta uma elevada taxa de sucesso em Angola, alinhada com a estatística mundial que ronda os 65% de aproveitamento. “Sobre a nossa realidade, ainda existe muito preconceito. Apesar do receio inicial de algumas pessoas, fiquei surpreendido positivamente com a forte adesão dos pacientes”, salientou. Emanuel Nkanga afirmou que a clínica privada que lidera trouxe o projecto devido ao alto índice de infertilidade entre os jovens, um cenário considerado um problema de saúde pública que forçava muitos casais a buscar tratamento no exterior. “Quando deixei o país, entre 2016 e 2017, os tabus eram maiores. Hoje, os pacientes procuram massivamente os nossos serviços porque acreditam na solução”, sublinhou.Especialistas no país Angola conta actualmente com apenas dois especialistas em Fertilização In Vitro (FIV) e reprodução assistida, revelou o médico Emanuel Nkanga. Ao analisar o cenário actual, o especialista enfatizou que a expansão deste serviço de saúde depende directamente de políticas públicas do Executivo. Segundo afirmou, cabe ao Governo incentivar a investigação científica e investir na formação de mais profissionais nesta subespecialidade, uma medida essencial para enriquecer e fortalecer o Sistema Nacional de Saúde (SNS). O Dia Mundial da Fertilização In Vitro é celebrado anualmente a 25 de Julho. Embora não seja um feriado global oficial instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data consolidou-se como o maior marco histórico da Medicina Reprodutiva Humana. O dia homenageia o nascimento da britânica Louise Brown, em 1978, reconhecida mundialmente como o primeiro “bebé de proveta”. O feito, liderado pelos cientistas Patrick Steptoe e Robert Edwards, revolucionou a ciência médica e abriu caminhos para que milhões de pessoas ao redor do mundo pudessem realizar o sonho da parentalidade.




