A formação especializada de profissionais de saúde ganha novo impulso, com o reforço da cooperação técnica entre o Ministério da Saúde (MINSA) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Brasil.
De acordo com uma nota de imprensa do Ministério da Saúde enviada ontem ao Jornal de Angola, a formação visa a elevar a capacidade do país no diagnóstico e tratamento do cancro infantil, bem como na capacitação técnica e científica de profissionais em cuidados paliativos.
Segundo a nota o encontro entre os especialistas do INCA e os gestores do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS) realizado esta quarta-feira, em Luanda, permitiu avaliar os resultados da missão técnico-formativa do INCA, realizada de 26 de Maio a 3 de Junho, onde foram definidas prioridades para o próximo ciclo, previsto para 2027.
Sob o lema “Capacitar para salvar, transformar para o futuro”, o encontro teve como objectivo reforçar a articulação entre as diferentes especialidades envolvidas no atendimento às crianças com cancro.
De acordo com a nota, o coordenador e gestor técnico do projecto de formação do MINSA, Job Monteiro, frisou que a formação especializada vai abranger a Oncologia Cirúrgica Pediátrica e o acesso vascular, com destaque para a implementação do cateter central de inserção periférica (PICC), técnica importante para crianças submetidas a tratamentos prolongados.
A proposta, segundo a nota, prevê, igualmente, a capacitação inicial de uma equipa angolana, seguida de acompanhamento técnico, elaboração de protocolos, padronização de procedimentos e formação de novos profissionais.
A cirurgia oncológica pediátrica, vai ser um dos focos da cooperação, salientando que a estratégia visa o reforço das competências das equipas cirúrgicas, anestésicas e de cuidados intensivos, assim como a melhoria dos protocolos de segurança do paciente, e capacitação em cuidados paliativos.
Está, igualmente, prevista a discussão de casos entre os dois países por meio de plataformas digitais, com análise de exames e definição conjunta das indicações cirúrgicas e seguimento de pacientes oncológicos em estado terminal.
A meta de acordo com a nota, é formar equipas angolanas capazes de assumir progressivamente casos de maior complexidade, destacando a necessidade de garantir continuidade às acções iniciadas pelas missões técnicas e transformar cada actividade de cooperação em capacidade instalada no país.
Reforço do conhecimento transferido
Consta da nota que, o director-geral do Instituto de Especialização em Saúde (IES),Djamel Kitumba, reforçou a importância de transformar o conhecimento transferido pelos especialistas brasileiros, em competência permanente no sistema nacional de saúde.
As discussões, permitiram transformar a avaliação da primeira missão num plano de continuidade, com prioridades nas áreas de formação especializada, cirurgia oncológica pediátrica, acesso vascular, segurança do paciente, investigação científica e acompanhamento clínico.
segundo o documento , durante a reunião, o especialista do INCA, Ricardo Piranha, salientou que, para elevar o diagnóstico do país e tratamento do cancro infantil, é necessária uma abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, cirurgiões, radiologistas, anestesistas, anatomopatologistas, enfermeiros, intensivistas e outros profissionais.
Entre as medidas propostas está ainda a realização regular de reuniões multidisciplinares para discussão de casos oncológicos, permitindo decisões terapêuticas mais integradas e atempadas.
Formação de enfermeiros em Cuidados Intensivos
O coordenador e gestor técnico do projecto de formação, do MINSA, disse que no que toca à Oncologia Pediatríca, o Ministério da Saúde, por intermédio da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (UIP-PFRHS), está a acelerar a formação de enfermeiros especializados em cuidados intensivos, com a integração de docentes e especialistas brasileiros na componente clínica e prática.
Job Monteiro, explicou que os formandos se encontram numa etapa marcada pela simulação clínica, treino de procedimentos, segurança do paciente e tomada de decisão perante situações críticas, permitindo que os formandos desenvolvam competências em cenários próximos da realidade hospitalar, antes da passagem para a componente de estágio, prevista para o final de Outubro.
Por seu turno, a docente brasileira, Victória de Jesus, especialista em Unidade de Terapia Intensiva Adulta, Urgência, Emergência e Docência, destacou a importância da troca de conhecimentos entre os dois países, defendeu que a cooperação deve contribuir também para a formação de novos formadores.
Por sua vez, a especialista Romilda Cavaleiro, em terapia intensiva adulta, a pediátrica considerou que a formação poderá produzir efeitos para além da carreira dos enfermeiros, ao permitir a implementação de protocolos e práticas mais seguras nas unidades sanitárias.




