Pais e encarregados de educação manifestam preocupação com o impacto da greve dos professores no aproveitamento escolar dos alunos, sobretudo daqueles que frequentam classes de exame.
A paralisação de 15 dias, iniciada esta segunda-feira, 21, em todo o país, já está a afectar o normal funcionamento das aulas em algumas escolas, aumentando o receio dos encarregados de educação quanto ao cumprimento do calendário lectivo.
Apesar das preocupações, os pais dizem compreender e apoiar as reivindicações dos professores, defendendo melhores condições de trabalho e a valorização da classe docente.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, alguns encarregados de educação apelaram ao Governo e ao Sindicato Nacional de Professores, SINPROF, para que encontrem uma solução que permita retomar as aulas e evitar que os alunos sejam os principais prejudicados pelo conflito laboral.
“Pedimos que o Governo e o sindicato se entendam. Não pode ser o aluno sempre a pagar a factura. Se há promessas de promoção de 27 mil professores, que se cumpram de facto”, afirmaram.
A preocupação é maior entre as famílias com alunos em classes de exame, numa altura em que uma interrupção prolongada das aulas poderá reduzir o tempo disponível para o cumprimento dos programas e para a preparação dos estudantes.
Directores de escolas também manifestam receio de que a continuidade da paralisação provoque atrasos no calendário escolar, aumento do absentismo e desmotivação dos alunos.
O SINPROF sustenta que a greve é legal e resulta da falta de respostas concretas do Executivo às principais reivindicações dos professores, entre elas a actualização das categorias, a melhoria salarial e das condições de trabalho.
O Executivo, por sua vez, afirma que não existem razões suficientes para a paralisação e aponta medidas já anunciadas para responder às reivindicações da classe, entre as quais a melhoria de categorias de 27 mil agentes a partir de Outubro e a previsão de 150 mil milhões de kwanzas, no OGE 2026, para a autonomia das escolas.
Enquanto Governo e sindicato mantêm posições diferentes, os encarregados de educação defendem que o diálogo seja retomado com urgência, para evitar que a disputa laboral comprometa o aproveitamento dos alunos e o cumprimento do ano lectivo.



