Papa afirma que a fé não deve ser usada como meio de obter vantagens, mas como expressão de compromisso espiritual

O Papa Leão XIV alertou para aquilo que considera ser uma crescente tendência de redução da fé a interesses imediatos, advertindo contra uma relação “utilitária” com Deus, centrada no benefício pessoal e não na vivência espiritual autêntica.
Durante uma homilia em Saurimo na Lunda Sul, o Santo Padre afirmou que muitos procuram Deus não por amor ou gratidão, mas por cálculo ou interesse, criticando práticas em que a fé é usada como instrumento para alcançar outros fins.
“O Senhor vem ao nosso coração perguntando-nos se O procuramos por gratidão ou por interesse”, afirmou, acrescentando que há situações em que Jesus é procurado como “um prestador de serviços”, numa lógica que esvazia o sentido espiritual da fé.
O Papa advertiu ainda contra a transformação da religiosidade em superstição, onde Deus passa a ser tratado como um “ídolo” invocado apenas em momentos de necessidade, sublinhando que esta prática deturpa a essência do cristianismo.
Cristo, segundo o líder da Igreja Católica, não rejeita a fragilidade humana, mas chama à conversão e a uma relação mais autêntica, baseada na liberdade e na maturidade espiritual.
“Cristo chama-nos à liberdade. Não quer servos nem clientes, mas irmãos e irmãs”, afirmou, defendendo uma fé vivida como compromisso e não como dependência instrumental.
Na mesma intervenção, o Papa também criticou as injustiças sociais e económicas, apontando a exploração, a violência e a desigualdade como fatores que distorcem a dignidade humana.
“Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”, declarou, denunciando estruturas que perpetuam a exclusão e a pobreza.
O Santo Padre sublinhou ainda que a humanidade não está destinada à opressão ou à escravidão, afirmando que a libertação do mal deve acontecer tanto na vida presente como na dimensão espiritual.
Encerrando a homilia, o Papa reforçou uma mensagem de esperança e proximidade divina, lembrando que Cristo acompanha a humanidade em todos os momentos. “Em cada queda, levanta-nos. Em cada sofrimento, conforta-nos”.



