Benguela — O representante da Associação dos Deficientes Físicos do município do Dombe Grande, Manuel Canguilhango, denunciou, esta quarta-feira, casos recorrentes de discriminação no acesso aos transportes públicos de que são vítimas pessoas com mobilidade reduzida na região.
Benguela — O representante da Associação dos Deficientes Físicos do município do Dombe Grande, Manuel Canguilhango, denunciou, esta quarta-feira, casos recorrentes de discriminação no acesso aos transportes públicos de que são vítimas pessoas com mobilidade reduzida na região.
Em entrevista à ANGOP, Manuel Canguilhango lamenta que muitos taxistas locais recusem transportar pessoas em cadeiras de rodas, enquanto outros aceitam fazê-lo mediante o pagamento de valores adicionais, o que constitui uma barreira significativa à mobilidade dos associados.
O responsáveltambém relatou a existência de barreiras de acessibilidade em instituições públicas e privadas, por falta de rampas para facilitar o acesso às pessoas com mobilidade reduzida.
A título de exemplo, segundo o entrevistado, o Hospital Municipal do Dombe Grande não dispõe de uma rampa de acesso adequada para pessoas que utilizam cadeiras de rodas, dificultando o seu acesso aos serviços de saúde.
Perante este cenário, o responsável associativo diz ser urgente a colocação de uma rampa no hospital, apelando à intervenção da Administração Municipal do Dombe Grande na resolução do problema.
A par das barreiras físicas, Manuel Canguilhango referiu, ainda, que a grande maioria dos 98 membros da associação continuam sem oportunidades de emprego, embora possuam capacidade para desenvolver actividades profissionais e empreendedoras.
Segundo ele, até no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), os associados continuam a enfrentar dificuldades no acesso aos kits de empregabilidade.
Porém, explicou que apenas uma pessoa da associação foi contemplada até ao momento, número considerado insuficiente face às necessidades dos 98 membros inscritos.
Falta de meios de locomoção
Referiu ainda a falta de meios de locomoção como outro obstáculo, numa altura em que a associação necessita de aproximadamente 50 cadeiras de rodas e 15 triciclos para responder às necessidades dos seus membros.
Usuário de um triciclo há mais de 15 anos, Manuel Canguilhango advoga a necessidade de se aumentar o número de equipamentos de mobilidade, melhorar a acessibilidade nos edifícios públicos e ampliar o acesso das pessoas com deficiência aos programas de empreendedorismo, emprego e combate à pobreza.
Quem também partilha o mesmo calvário é a jovem deficiente física Isabel Domingas, de 26 anos, que relatou ter sido retirada de um táxi quando se preparava para viajar para Benguela, apesar de a sua cadeira de rodas já se encontrar dentro do veículo.
Visivelmente emocionada ao contar a sua história, Isabel Domingas repudia a atitude do motorista e do cobrador que a mandaram descer do táxi, alegando que a cadeira ocupava demasiado espaço.
A jovem afirmou que episódios semelhantes já aconteceram noutras viagens e que, em algumas ocasiões, impõem pagamento adicional devido à cadeira de rodas como condição para levá-la do Dombe Grande a Benguela e vice-versa.
As dificuldades também se estendem aos autocarros, em que, segundo Isabel Domingas, foi obrigada a pagar 1800 kwanzas por uma viagem que normalmente custaria cerca de 800 kwanzas, por transportar a sua cadeira de rodas.
Actualmente desempregada, a jovem concluiu recentemente uma formação em estética e anseia por um kit de empregabilidade junto da Administração Municipal do Dombe Grande, que lhe permita iniciar uma actividade e garantir o próprio sustento.
Ambos os interlocutores sublinham a necessidade urgente de se melhorar as condições de transporte para as pessoas com mobilidade reduzida, tendo em conta que, tal como os demais cidadãos, precisam frequentemente de se deslocar a Benguela para aceder a serviços que não estão disponíveis no município do Dombe Grande. JH/CRB




