Os cidadãos, que acorrem ao Posto de Identificação Civil instalado no recinto da Administração Municipal do Camama, em Luanda, reclamam por melhorias nos serviços, de modo a garantir maior celeridade no atendimento, na emissão e na entrega do Bilhete de Identidade (BI).
O clamor foi manifestado por utentes durante uma reportagem do Jornal de Angola no local, onde, diariamente, se registam enchentes de cidadãos provenientes de vários bairros circunvizinhos e de outros municípios, que procuram o posto na esperança de obter ou renovar o documento.
A nossa equipa constatou que muitos cidadãos chegam ao recinto ainda de madrugada. Alguns chegam mesmo a pernoitar no local para garantir um lugar na fila. Segundo informações prestadas pelos próprios utentes, o posto atende diariamente cerca de 60 pessoas.
A informação não foi confirmada pelo chefe do posto, que não se mostrou disponível a prestar declarações, alegando não ter autorização dos seus superiores para falar à imprensa.
Vários cidadãos reconhecem as limitações da capacidade de atendimento do posto, que entrega os documentos três dias depois da recolha dos dados pessoais. A situação, segundo os utentes, contribui para a formação de longas filas e para horas de espera.
Munícipes do Camama e cidadãos provenientes de municípios próximos afirmam que chegam de madrugada e passam praticamente todo o dia no local para conseguir tratar ou renovar o Bilhete de Identidade.
O motorista Augusto Manuel, morador do Chimbicato, no Camama, chegou ao posto às 5h10 para tratar o BI da filha, de 13 anos. Os documentos foram recebidos, mas, até às 13h30, continuava a aguardar pelo atendimento.
“Já chegou a época da escola e ela não tem bilhete para receber o certificado. Receberam os documentos, mas até agora não tivemos nenhum feedback”, lamentou.
Segundo o motorista, os utentes foram informados de que o posto dispõe de apenas três computadores, situação que, associada à elevada procura, condiciona a rapidez dos serviços. Por isso, defende o reforço dos meios e a melhoria da capacidade de atendimento nas instalações do posto móvel.
“A procura é tanta e a oferta é pouca. Para tratar o bilhete aqui no Camama não se pode ter mais outro compromisso. Tem de se reservar o dia só para isso”, afirmou Augusto Manuel, que trabalha por conta própria como taxista.
De Viana para o Camama
A demora leva também cidadãos de outros municípios a procurar alternativas no Camama. É o caso de Armando Albano, estudante de 20 anos, residente no bairro Capalanga, município de Viana, que estava na terceira tentativa.No terceiro dia, chegou às 7h e só foi chamado por volta das 14h para efectuar o pagamento do valor do RUPE.
O jovem contou que já havia estado no posto na semana anterior, mas não conseguiu concluir o processo devido à falta de energia eléctrica. Apesar de reconhecer que o atendimento é realizado, considera necessário melhorar a capacidade de resposta.
“Está muito lento. Em Viana também há muita enchente e, quando acontece, fecham cedo”, explicou, apelando ao reforço dos serviços de emissão do documento de identificação.
Madrugar com o irmão
A corrida por uma vaga começa, em alguns casos, ainda durante a madrugada. Maria Sebastião, estudante universitária e residente no Camama, chegou às 2h de quarta-feira para acompanhar o irmão, de 15 anos, que pretende renovar o BI.
Era a segunda tentativa da família. Na primeira, chegaram às 4h, mas, mesmo assim, ficaram fora do número de utentes atendidos.
“Recebemos informações de que o posto atende cerca de 60 pessoas, razão pela qual alguns cidadãos chegam ainda durante a noite para garantir lugar”, relatou a estudante, que defende “a melhoria das condições e maior dinamismo dos funcionários”.
O pedreiro Armando José enfrenta um problema semelhante. Morador do Camama, conseguiu três dias de dispensa no serviço para tratar a segunda via do BI.Na quarta-feira, Armando demonstrava receio de terminar o período de dispensa sem conseguir resolver a situação, uma vez que estava no terceiro dia de tentativa, sem sucesso.
“Tem que haver mais agilidade. Muita gente tem dias contados para resolver outras tarefas, mas fica aqui porque está atrás de um documento muito importante”, afirmou.
Os utentes reconhecem a elevada procura pelos serviços. Por esta razão, defendem o aumento da capacidade de atendimento e a transformação da unidade móvel num posto descentralizado, capaz de emitir o Bilhete de Identidade no mesmo dia.




