Presidente da Agência Espacial Portuguesa destaca avanços de Angola em satélites e soberania digital no ANGOTIC 2026

O presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, considera “impressionante” a dinâmica de Angola no sector espacial. A declaração foi feita esta quinta-feira, 11, na abertura do ANGOTIC 2026.
“Só fico mesmo impressionado quando vêm aqui várias empresas. Nós vemos aqui variadíssimas empresas no aspecto internacional”, afirmou.
Ricardo Conde destacou o acordo de cooperação já assinado entre os dois países. “Nós temos também este acordo de cooperação, que já foi assinado e que neste momento estamos com algumas acções. Estamos a implementar acções concretas para tentarmos ter este âmbito desta cooperação”, disse.
Para o gestor espacial, Angola tem uma posição estratégica nas tecnologias de comunicações e satélite. “Angola tem uma posição extremamente importante naquilo que são as tecnologias de comunicações, na posição de satélite. Está preparado também, já tem uma dinâmica muito interessante aqui, através do programa de observação da Terra, e está muita cooperação entre Portugal e Angola”.
Ricardo Conde afirmou que Portugal quer atrair Angola para iniciativas de maior amplitude: “Mostraremos muito que Angola fez a sua parte de algo maior. Aqui há uma proposta de atrair também Angola, e em particular aqueles que vão fazer com seus satélites, para uma dinâmica de amplitude de várias constelações. Nós temos um programa extremamente interessante que é a constelação do Atlântico e estamos a tentar fazer com que Angola também faça parte desta iniciativa, porque isto é uma das dimensões da cooperação”.
Questionado sobre cibersegurança face aos desafios da geopolítica, o presidente da Agência Espacial Portuguesa esclareceu que hoje se fala cada vez mais de resiliência e autonomia digital. “Nós hoje, praticamente todos os países, temos uma dependência tecnológica. Os principais operadores, na realidade, nós temos que, de facto, ter alguma independência face a alguns blocos geopolíticos. A Europa está a construir essa, vamos dizer desta forma, soberania tecnológica, esta resiliência. E o espaço hoje representa a conectividade, representa a posição, navegação e o tempo, representa a observação. Isto dá uma dimensão de importância na ebulição do novo paradigma da segurança e da defesa”, explicou.
Questionado se Angola tem dado passos firmes neste sentido, o especialista respondeu: “Há absolutamente, absolutamente. Aliás, nós olhamos pouco para dentre os países africanos, onde nós estamos com os principais, digamos, players ou actores no cenário mesmo internacional. Veja-se que acabou de lançar um novo satélite, um programa de transferência de tecnologia também com a Airbus. Angola tem um programa espacial muito inscrito, agora uma impulsão que também está a fazer e muito importante para criar um sector espacial industrial. E é isto também que nós estamos no mundo da nossa cooperação a tentar, juntamente com Angola, fazer com que exista este sector, e existe uma cooperação entre a parte angolana e a parte portuguesa”, afirmou.


