A aposta na agricultura, pecuária e no empreendedorismo estão entre as prioridades dos 1.903 agregados familiares que começaram, segunda-feira, a beneficiar das transferências sociais monetárias do Programa Kwenda, no município do Cuangar, província do Cubango.
Cada agregado familiar está a receber 66 mil kwanzas, correspondentes ao segundo semestre, enquanto os cidadãos não abrangidos na primeira fase receberam 132 mil kwanzas, valor referente a 12 meses. Os benefiados afirmaram que os recursos vão impulsionar a economia familiar e local, permitindo satisfazer necessidades básicas, como a compra de bens alimentares, medicamentos e material escolar, bem como investir em actividades geradoras de rendimento para garantir o autossustento familiar. Alice Cassongo disse que recebeu os primeiros 66 mil kwanzas, em Março de 2025, dinheiro que investiu na venda de peixe, actividade que lhe permitiu adquirir sementes agrícolas e aumentar a área de cultivo de dois para dez hectares. Em declarações ao Jornal de Angola, a beneficiária explicou que, nesta segunda fase, parte do valor será aplicado no transporte dos produtos agrícolas do campo para a sede municipal, afirmando que parte da produção de milho e massango feita nesta campanha agrícola 2025/2026, será comercializada e outra servirá para o consumo da família. Adriana Jamba, também contemplada pelo programa, afirmou que o apoio recebido no ano passado permitiu-lhe criar um pequeno negócio de venda de roupas, com o qual conseguiu custear os estudos no Magistério Mwene Vunongue, onde concluiu, recentemente, o ensino médio no curso de Educação Pré-Escolar. “O negócio permitiu-me arrendar uma casa em Menongue e retomar os estudos que estavam interrompidos por falta de recursos. Hoje, já estou a me preparar para ingressar no Ensino Superior e dar continuidade à minha formação”, afirmou. Segundo Adriana Jamba, o novo apoio financeiro será utilizado para expansão do negócio e reforçar o empreendimento, de forma a contribuir igualmente para o sustento dos irmãos. Por sua vez, o director provincial do Fundo de Apoio Social (FAS), Zeferino Cavalo, informou que, apenas na sede municipal do Cuangar, o programa prevê apoiar 958 agregados familiares, para os quais foram disponibilizados 63 milhões e 223 mil kwanzas. Zeferino Cavalo salientou que o Programa Kwenda tem vindo a produzir impactos positivos na redução da vulnerabilidade das famílias, ao permitir que muitos beneficiários deixem de utilizar o apoio apenas para o consumo imediato e passem a investir em actividades geradoras de rendimento, como a agricultura, a pecuária e o pequeno comércio. O responsável acrescentou que o objectivo do Executivo é transformar as transferências sociais num instrumento de inclusão produtiva, criando condições para que as famílias alcancem a autonomia financeira de forma gradual, por isso, garantiu que o FAS vai continuar a acompanhar os beneficiários, através de acções de capacitação e assistência técnica, para assegurar a sustentabilidade dos pequenos negócios criados no âmbito do programa. Além das transferências sociais monetárias, acrescentou, os beneficiários estão a beneficiar de palestras sobre educação financeira, com vista a promover a gestão responsável dos recursos, incentivar a poupança e evitar despesas desnecessárias. O responsável apelou às famílias a definirem prioridades que contribuam para o desenvolvimento sustentável dos agregados, investindo em pequenos negócios capazes de garantir o autossustento. “No âmbito do Kwenda-2, o FAS, em parceria com outras instituições parceiras, está também a incentivar o cultivo de árvores frutíferas, com objectivo das famílias camponesas diversificarem a produção agrícola e reforçar a segurança alimentar”, disse. Zeferino Cavalo aconselhou, ainda, os agregados a tratarem do registo de nascimento e do Bilhete de Identidade, tendo esclarecido que, futuramente, apenas cidadãos com BI poderão beneficiar do programa, tendo exortado também as mulheres grávidas a aderirem às consultas pré-natais e às campanhas de vacinação. Benefícios satisfazem 12.193 famílias no CuneneUm total de 12.193 famílias, dos 13.013 em situação de vulnerabilidade, previstas nos municípios do Chissuata, Mupa e Cuvelai, na província do Cunene, beneficiou do programa Kwenda II, na componente das Transferências Sociais e Monetárias, no valor de 832.788.000 kwanzas. O chefe do Departamento Executivo do Instituto de Desenvolvimento Local explicou que os três municípios foram contemplados anteriormente com duas prestações trimestrais, passando agora a contar com quatro amortizações. Entre os beneficiários, disse, figuram famílias que receberam pela primeira vez, 132 mil kwanzas, correspondentes a quatro prestações trimestrais. Eduardo Chilunda disse que depois de concluída a quinta fase, pretendem expandir o programa para os municípios do Nehone e Cuanhama, criados à luz da Divisão Político-Administrativa. Aldeias de Mona Quimbundo recebem dinheiroMais de cinco mil famílias de nove aldeias na comuna de Mona Quimbundo, interior do município de Saurimo, província da Lunda-Sul, beneficiam, desde ontem, de pagamento da segunda e terceira prestações de transferências monetárias aprovadas no âmbito do Programa Kwenda Rural. Para os agregados que beneficiam pela primeira vez do Kwenda o valor é de 132 mil kwanzas, de acordo com o chefe de departamento do Instituto de Desenvolvimento Local, João Simão Mungongo. O responsável referiu, ainda, que as famílias contempladas na primeira fase receberam agora 66 mil kwanzas. Com o gesto, continuou, pretendem resgatar a credibilidade do programa nas comunidades de Casseme, Caita, Sambau, Sahongo Satxicucu, Txissongo, Phimbi, Txicuminaira e Missão. João Simão Mungongo garantiu que a meta é chegar a 37.770 agregados familiares, dos mais de 39 mil previstos, entre os quais os destaques vão para as pessoas em situação de vulnerabilidade, como albinos, deficientes, idosos com doenças crônicas, crianças e jovens com necessidades especiais. Planos preparadosCom o envelope nas mãos, contendo o dinheiro referente ao pagamento da segunda prestação, Aurora Conceição adiantou que vai comprar instrumentos agrícolas, sementes e contratar jovens para reforçar a mão de obra. No quadro da preparação do próximo ano lectivo, contou, reservou, também, algum valor para a compra de material escolar. Por sua vez, António Lucas, de 26 anos, disse que vai usar o dinheiro para abrir uma cantina no quintal de casa, na sede municipal de Mona Quimbundo. Para constatar a realidade no seio das comunidades visadas, a administradora municipal adjunta de Saurimo, Aurora Ventura, considerou que a estratégia de subsidiar as famílias é uma forma do Executivo contribuir no combate a fome e pobreza no meio rural. * Adelaide Mualimusi | OndjivaKamuanga Júlia | Saurimo




