A formação técnico-profissional, o empreendedorismo e o microcrédito constituem os principais eixos de intervenção do Projecto Miramar, iniciativa juvenil que pretende contribuir para o desenvolvimento de competências e a inserção dos jovens na vida económica e social do país.
Em declarações à imprensa, sexta-feira, o presidente do projecto Miramar, Osvaldo Muandumba, a formação profissional assume particular importância perante os desafios que se colocam a Angola e à necessidade de preparar uma juventude cada vez mais qualificada e capaz de responder às exigências do mercado de trabalho.
“Entendemos que a formação profissional é uma via pela qual conseguimos desenvolver competências específicas nos jovens”, afirmou, defendendo que os desafios do desenvolvimento do país exigem uma juventude competente e preparada.
Além da formação técnico-profissional, o empreendedorismo constitui outro dos eixos de actuação da iniciativa. Para Oswaldo de Ambrirismo Andumba, o incentivo à criação de negócios pode contribuir para a geração de soluções e para a redução de fenómenos que afectam a economia nacional.
O projecto prevê, igualmente, acções de mentoria destinadas a jovens empreendedores, numa perspectiva de partilha de conhecimentos e experiências.
“Não basta só querer empreender. É importante aprender com aqueles que já sabem e já fazem, de modo a mitigar e reduzir o índice de erros cometidos pelos jovens no processo de empreendedorismo”, explicou.
Microcrédito para pequenos negócios
No domínio do financiamento, o Projecto Miramar estabeleceu uma parceria estratégica com a Cooperativa de Crédito Unido e Progredido por Angola, no âmbito do projecto Crédito Esperança, que prevê a disponibilização de microcréditos entre 50 mil e 250 mil kwanzas para jovens empreendedores.
O responsável sublinha, entretanto, que a iniciativa pretende privilegiar não apenas o valor do financiamento, mas sobretudo a capacidade dos beneficiários de gerir e multiplicar os recursos disponibilizados.
“Se um jovem não consegue gerir 50 mil kwanzas, à partida não consegue gerir 100 mil. Se não consegue gerir 100 mil, eventualmente não conseguirá gerir 250 mil”, exemplificou.
A estratégia, acrescentou, passa por começar com valores mais reduzidos e acompanhar a capacidade de gestão dos beneficiários, permitindo-lhes adquirir experiência e desenvolver os seus negócios de forma progressiva.
A iniciativa pretende, deste modo, contribuir para a formalização da actividade económica, a geração de riqueza e a criação de oportunidades de auto-emprego.
Requisitos para acesso
Para beneficiar das iniciativas, os interessados deverão, de acordo com o gestor, cumprir os requisitos estabelecidos nos estatutos da associação, sendo a condição de membro um dos pressupostos para o acesso aos benefícios.
No caso específico do microfinanciamento, serão ainda avaliados critérios relacionados com a maturidade, responsabilidade e capacidade de gestão dos candidatos.
Osvaldo Muandumba esclareceu que o projecto pretende orientar a sua intervenção de acordo com as prioridades nacionais de desenvolvimento, com particular atenção para sectores considerados estratégicos para a diversificação da economia.
Entre as áreas de interesse está o agronegócio, sector que considera alinhado com as prioridades nacionais de diversificação económica.
“Queremos sempre olhar para aquilo que é a agenda nacional, porque interessa-nos participar e sermos partícipes do desenvolvimento económico do nosso país”, afirmou.
Iniciativa valorizada pelo Estado
A iniciativa é vista pelo Ministério da Juventude como uma contribuição para o processo de capacitação e inserção dos jovens na vida activa.
Segundo o Director nacional da Juventude, José Mateus, os projectos promovidos por jovens e dirigidos à própria juventude representam oportunidades de acesso a conhecimentos, competências e ferramentas técnicas.
“Angola é um país maioritariamente composto por jovens e os desafios desse país só serão concretizados se tivermos uma juventude capaz, preparada e organizada”, afirmou.
José Mateus destacou igualmente o enquadramento da iniciativa no Plano de Desenvolvimento da Juventude 2025-2027, que, segundo explicou, procura promover a inserção dos jovens na vida activa.
Para o responsável, a formação constitui uma das vias para alcançar esse objectivo, sobretudo perante os desafios relacionados com a empregabilidade juvenil.
“Um caminho viável para que se reduzam estas taxas é por via do auto-emprego e do empreendedorismo”, disse, defendendo a criação de




