A falha geral na rede de telecomunicações da maior operadora móvel do país, Unitel, registada desde a madrugada de terça-feira, provocou, nos últimos dois dias, uma paralisação total às operações da Referência Única de Pagamento ao Estado (RUPE) no 1.º Cartório Notarial de Luanda, soube, quinta-feira, o Jornal de Angola.
Numa ronda feita por alguns cartórios e notários da capital, o cenário era totalmente diferente dos dias normais de funcionamento, caracterizados por uma elevada afluência de público logo desde as primeiras horas da manhã. Em declarações ao Jornal de Angola, o notário titular do 1.º Cartório Notarial de Luanda, Hermenegildo Agostinho, explicou que, apesar de o sistema interno estar operacional, os utentes ficaram impossibilitados de efectuar qualquer tipo de pagamento. “Ontem, verificámos o início das dificuldades e hoje (ontem), segundo dia da falha, os utentes, que levaram as referências às unidades bancárias, também não conseguiram fazer depósitos por falha no sistema”, explicou o responsável. Hermenegildo Agostinho referiu que, até às 14h00 de ontem, nenhuma via de pagamento estava a funcionar, seja por Terminal de Pagamento Automático (TPA), Multicaixa Express, ATM ou depósito em balcão. O responsável explicou que a instituição não recebe valores em numerário e sublinhou que a resolução do problema ultrapassa as competências do cartório. Segundo o notário, a normalização dos serviços depende directamente do restabelecimento da rede da Unitel, bem como de orientações conjuntas do Ministério das Finanças e do Cofre Geral da Justiça. Serviços afectadosEntre os serviços mais afectados, estão a emissão de autorizações de viagem para menores e o reconhecimento de documentos, processos que exigem a confirmação prévia da RUPE no sistema para a sua conclusão. Segundo o responsável, o 1.º Cartório Notarial de Luanda regista um fluxo médio diário de 800 a 1.000 utentes, número que reduziu drasticamente devido a este constrangimento. Ainda no que toca aos serviços ligados ao Ministério da Justiça, constatou-se, na 3.ª Secção da Sala do Cível e Administrativo do Tribunal da Comarca de Luanda, uma forte ausência de utentes. Melhorias no sistemaNo início da tarde de ontem, após mais de 24 horas de interrupção, a rede registou pequenas melhorias nos serviços de voz e de dados. A operadora de telefonia está a restabelecer os serviços de forma gradual, depois da interrupção que afectou milhões de utilizadores em várias regiões do país. Durante o período de instabilidade, provocado por um ataque cibernético, os clientes relataram sérias dificuldades no acesso à internet, na realização de chamadas e noutros serviços essenciais, o que gerou uma onda de reclamações nas redes sociais. Serviços bancáriosA indisponibilidade dos serviços da Unitel está a provocar fortes constrangimentos no funcionamento do sistema bancário, afectando milhares de cidadãos e empresas. Devido ao apagão, muitos clientes viram-se obrigados a recorrer presencialmente aos balcões dos bancos para realizar operações que, habitualmente, são efectuadas via telemóvel. Para minimizar os constrangimentos, algumas instituições financeiras adoptaram soluções alternativas. O Banco Angolano de Investimentos (BAI), por exemplo, informou em nota de imprensa que os clientes do serviço BAI Directo com o aplicativo WhatsApp instalado passaram a receber, por essa via, os códigos de confirmação das operações. A medida visa mitigar os impactos do apagão tecnológico, permitindo a realização de determinadas transacções de forma alternativa. Entre os cidadãos afectados, Walter José explicou que não conseguiu aceder às aplicações bancárias para efectuar pagamentos. Tito Zumba relatou que, além de ficar impedido de fazer transferências bancárias, perdeu o prazo de inscrição num concurso público por não conseguir contactar a pessoa que guardava o seu certificado de habilitações.




