O Projecto de Resiliência Climática e Segurança Hídrica em Angola (RECLIMA) prevê a reabilitação de 150 sistemas de abastecimento de água nas zonas rurais da província do Cunene.
A informação foi avançada ontem, em Ondjiva, por Carlos Figueiredo, especialista em Monitoria e Avaliação da Unidade de Coordenação de Projectos do Ministério da Energia e Águas.
O especialista explicou que a iniciativa governamental é financiada pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), contando com um orçamento global de cerca de 450 milhões de dólares.
O grande objectivo do RECLIMA é restabelecer a funcionalidade e garantir a sustentabilidade de redes de água inoperantes ou com baixo nível de operacionalidade.
No Cunene, as intervenções vão abranger localidades-chave em municípios e comunas como Cuanhama, Namacunde, Nehone, Chissuata, Cuvelai, Mupa, Ombadja, Cahama, Chitado, Curoca, Humbe e Naulila.
As obras contemplam a recuperação de infra-estruturas hidráulicas e equipamentos danificados, incluindo furos de água, bombas, tanques de armazenamento e redes de distribuição.
De acordo com o especialista, os trabalhos vão priorizar os sistemas com impacto directo na vida das comunidades rurais. O prazo de execução global das empreitadas é de 24 meses.
Alterações climáticas
O vice-governador do Cunene para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Cláudio Kondjasili, destacou que o início das obras é uma resposta concreta aos desafios provocados pelas alterações climáticas na província, historicamente marcada por períodos de seca severa.
O governante assegurou que a implementação do RECLIMA no Cunene representa um conjunto estratégico de intervenções de engenharia para salvaguardar vidas, proteger o gado, apoiar a agricultura e garantir a sustentabilidade das comunidades. Kondjasili sublinhou que a segurança hídrica é o pilar estruturante para fixar as populações e travar o êxodo rural forçado pela estiagem.
Ao garantir água potável regular para o consumo humano e para o efectivo pecuário, o projecto actua diretamente na mitigação da fome, da desnutrição crónica e dos conflitos pela disputa de recursos hídricos escassos na região.




