O Governo construiu 736 novas unidades sanitárias entre 2017 e o primeiro trimestre de 2026, aumentando a rede nacional de 2.612 para 3.348 infra-estruturas de saúde, distribuídas pelos três níveis de atenção.
Os dados foram avançados pelo Presidente da República, João Lourenço, esta quinta-feira, 15 de Outubro, durante o discurso sobre o Estado da Nação proferido por ocasião da sessão solene de abertura da 5.ª e última Sessão Legislativa da Assembleia Nacional.
Segundo o Chefe de Estado, mais de 80 por cento das novas infra-estruturas foram destinadas aos cuidados de saúde primários, com objectivo de aproximar os serviços de saúde às populações.
Actualmente, o nível primário de atenção dispõe de 3.093 postos e centros de saúde e 172 hospitais municipais. O nível secundário conta com 56 hospitais gerais, enquanto o nível terciário integra 27 unidades hospitalares.
Na província de Luanda, entre 2025 e 2026, foram inauguradas duas novas unidades hospitalares de referência do nível terciário, construídas para reforçar a rede sanitária e disponibilizar serviços de elevada diferenciação.
Relativamente aos hospitais de Mbanza Congo, da Catumbela e de Malanje, João Lourenço manifestou confiança no cumprimento das obrigações contratuais por parte do empreiteiro, depois de ultrapassados os constrangimentos que condicionavam os projectos.
O Presidente da República destacou igualmente o reforço da capacidade de internamento do Serviço Nacional de Saúde, que passou a dispor de 45.146 camas hospitalares, das quais 1.675 destinadas aos cuidados intensivos, na sequência dos investimentos em infra-estruturas, formação e contratação de profissionais.
Até 2027, o Executivo prevê construir mais hospitais provinciais e municipais e centros de saúde, além de transformar progressivamente postos de saúde em centros com maior capacidade de resolução, sobretudo nas zonas rurais.
Nos últimos quatro anos, foram integrados 28.429 novos profissionais de saúde, correspondentes a 26,6 por cento da força de trabalho actual do sector, estimada em 106.791 profissionais.
FORMAÇÃO ESPECIALIZADA
No domínio da formação especializada, o Executivo iniciou, em 2024, a capacitação de 3.954 enfermeiros em dez áreas prioritárias, incluindo 755 em Saúde Comunitária, que deverão integrar equipas em articulação com especialistas em Medicina Geral e Familiar, reforçando a prestação de cuidados junto das comunidades.
Encontram-se igualmente em formação 2.079 técnicos de diagnóstico e terapêutica nas áreas de Bioquímica Clínica e Hematologia, com vista ao fortalecimento da capacidade de diagnóstico e dos serviços laboratoriais.
João Lourenço afirmou que o Executivo continuará a alinhar a formação e a especialização dos profissionais com as necessidades do Sistema Nacional de Saúde, procurando também promover a retenção e a fixação de quadros nas regiões remotas e de difícil acesso.
Para o corrente ano, está previsto o recrutamento de mais seis mil profissionais de saúde, estando o respectivo concurso público em andamento.
A modernização dos serviços de saúde tem sido impulsionada pelo investimento na investigação científica, na transformação digital e na adopção de tecnologias avançadas de diagnóstico e tratamento, incluindo a cirurgia robótica.
De acordo com o Presidente da República, foram realizados com sucesso 136 procedimentos de cirurgia robótica, dos quais dez por telecirurgia, permitindo a intervenção de um cirurgião localizado no estrangeiro num doente em Angola, a milhares de quilómetros de distância.
No domínio das neurociências, o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé” consolidou-se como referência nacional, através da implementação da primeira Via Verde para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), da introdução de tecnologias avançadas de diagnóstico e tratamento neurovascular, da neurocirurgia diferenciada e do Programa Nacional de Tratamento Cirúrgico da Escoliose.
Na área cardiovascular, o Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento afirmou-se como centro nacional de referência para cirurgias cardíacas de elevada complexidade, tendo realizado 1.391 intervenções cirúrgicas desde a entrada em funcionamento.
O Chefe de Estado apontou ainda avanços na descentralização dos cuidados especializados, com a implementação de programas nas áreas do neurodesenvolvimento, ortopedia especializada e oftalmologia em diferentes províncias.
O reforço da rede nacional de hemodiálise foi igualmente destacado como uma medida que aproximou este tratamento especializado das populações e ampliou o acompanhamento dos doentes em várias regiões do país.
SAÚDE MATERNA E INFANTIL
Na área da saúde materna e infantil, o Titular do Poder Executivo realçou a evolução de indicadores relacionados com o planeamento familiar, o acompanhamento pré-natal e a assistência ao parto.
A cobertura da utilização de métodos contraceptivos modernos aumentou de 45 por cento em 2023 para 60 por cento em 2025, enquanto a cobertura da quarta consulta pré-natal passou de 56 para 62 por cento no mesmo período.
A proporção de partos institucionais assistidos por profissionais de saúde atingiu 64 por cento.
No combate ao VIH, João Lourenço referiu que Angola mantém uma das taxas de prevalência mais baixas da África Subsaariana.
De acordo com os resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2023–2024, a prevalência nacional do VIH entre a população dos 15 aos 49 anos passou de 2 por cento para 1,6 por cento.
“O Executivo vai acelerar os esforços para alcançar estes objectivos até 2030, reforçando a prevenção, o diagnóstico precoce, a retenção e a adesão ao tratamento, bem como o acompanhamento ao nível comunitário”, afirmou o Presidente da República.
MALÁRIA: PRINCIPAL CAUSA DE MORTALIDADE EM ANGOLA
Apesar dos progressos registados, a malária continua a constituir a principal causa de morbilidade e mortalidade em Angola.
Segundo os dados apresentados, a taxa de mortalidade associada à doença diminuiu de 28 por 100 mil habitantes em 2023, para 20 por 100 mil habitantes em 2025.
No domínio da vacinação, a cobertura nacional situa-se em 78 por cento e registaram-se avanços na recuperação das crianças consideradas “zero dose”, ou seja, aquelas que não receberam qualquer dose das vacinas previstas no calendário de rotina.
No âmbito da prevenção de doenças transmissíveis, foram administradas 3.175.666 doses da vacina oral contra a cólera, correspondente a uma cobertura administrativa de 99,8 por cento. Foram também vacinadas 64.047 pessoas pertencentes aos grupos de maior risco contra a Mpox.
As campanhas de vacinação contra o poliovírus derivado da vacina do tipo 2 alcançaram coberturas superiores a 95 por cento entre crianças menores de cinco anos.
No quadro do reforço da capacidade de resposta do sector, o Executivo está a promover o desenvolvimento da biotecnologia e o investimento privado na indústria farmacêutica nacional.




