Região da Okavango-Zambeze livre de minas para a promoção do turismo

A região angolana do Projecto Transfronteiriço de Conservação da Biodiversidade Okavango-Zambeze (KAZA), que abrange os municípios do Cuito Cuanavale, Mavinga, Rivungo e Dirico, província do Cuando, foi, em Outubro do ano passado, declarada livre de minas e outros engenhos explosivos.
A informação foi avançada, ontem, ao Jornal de Angola, em Mavinga, pelo director-geral da Halo Trust em Angola, Jack Lister. O responsável explicou que os 150 campos minados da região angolana do KAZA, cobrindo uma área de 17 milhões de metros quadrados, foram totalmente desminados pela organização. O processo, decorrido entre 2020 e Outubro de 2025, permitiu a remoção e destruição de 25 mil minas, entre engenhos antipessoal e antitanque. Jack Lister explicou que o processo de desminagem foi financiado pelo Governo angolano, num valor estimado em 60 milhões de dólares e, além dos municípios do Cuito Cuanavale, Mavinga, Rivungo e Dirico, abrangeu também os parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana, estas últimas consideradas como as principais áreas de atracção turística da região. Êxito do processoSegundo o responsável, o êxito do processo deveu-se à utilização de drones detectores de metais de última geração e meios mecânicos, como buldózeres e máquinas de inspecção de solos contaminados. Nas áreas abrangidas pelo projecto KAZA, a Halo Trust ficou encarregue de desminar os campos, ao passo que as operadoras do Centro Nacional de Desminagem (CND), das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF) assumiram a limpeza das principais vias de acesso. Jack Lister informou ainda que o processo gerou emprego para mais de 800 cidadãos residentes ao longo dos perímetros intervencionados. Desse total, 45% são mulheres, integradas em funções que vão desde sapadoras, chefes de secção e supervisoras, a mecânicas, motoristas e pessoal de apoio. Extensão Jack Lister referiu que o Cuando, devido à sua dimensão territorial e às consequências deixadas pelos conflitos armados, está no centro das atenções para desminagem, razão pela qual a Halo Trust está a negociar com o Governo angolano para que o processo seja estendido para mais áreas consideradas de risco, incluindo as províncias do Cubango e Bié. A Halo Trust desenvolve acções de desminagem em Angola há mais de 30 anos, sendo que um dos principais desafios da organização tem a ver com o asseguramento do financiamento junto das instituições doadoras, disse. Além de intervir nas áreas inseridas no projecto KAZA — sobretudo nos parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana, bem como nos municípios do Cuito Cuanavale, Mavinga, Rivungo e Dirico —, a organização procede também à desminagem de terrenos contaminados em Menongue e no Longa. Estas operações em território do Cubango contam com o suporte financeiro dos Governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outros parceiros internacionais. Criadas condições para aumento de receitas O director-geral do Pólo Turístico da Bacia do Okavango, João Sebastião, considerou que a conclusão da desminagem na componente angolana do KAZA vai alavancar o turismo transfronteiriço. Para o responsável, a segurança restabelecida nos solos será um factor decisivo para atrair investimentos e gerar novas receitas para a economia nacional. João Baptista Sebastião afirmou que o turismo é um dos sectores mais dinâmicos para a diversificação da economia nacional. O responsável sublinhou que o impacto do sector se reflecte não apenas na criação de postos de trabalho, mas também na captação rápida de receitas, com especial relevo para a atracção de divisas.


