A resolução dos conflitos no continente africano não passa apenas pelo silenciamento das armas, mas pela transformação das relações humanas, defendeu, esta terça-feira, em Luanda, o reverendo Ntoni-A-Nzinga.
O sacerdote falava na Mediateca 28 de Agosto, durante um encontro sobre os desafios da União Africana na prevenção e resolução de conflitos em África, que reuniu igualmente os docentes Osvaldo Moco e Afonso Malaca e o analista de relações internacionais Osvaldo Izata.
Ntoni-A-Nzinga considerou que as armas são apenas instrumentos de guerra e que a verdadeira origem dos conflitos reside nas relações entre as pessoas e os grupos.
“Historicamente, o conceito de paz tem sido frequentemente reduzido ao mero silenciamento das armas. Contudo, essa definição revela-se insuficiente e, por vezes, falaciosa”, afirmou, acrescentando que a história de Angola demonstra que o silêncio das armas pode representar apenas um intervalo antes do regresso da violência.
Segundo o reverendo, enquanto as causas profundas da discórdia não forem tratadas, a paz permanecerá superficial e precária. Defendeu, por isso, que o cessar-fogo, embora necessário para o desenvolvimento social e económico, não é suficiente para garantir uma paz duradoura.
Para o sacerdote, os conflitos africanos não devem ser explicados apenas a partir de divergências ideológicas entre o marxismo e o capitalismo, mas também pelo legado estrutural do colonialismo.
“Um sistema desenhado para a exploração, e não para o bem-estar das nossas populações”, afirmou, considerando que muitas das divisões herdadas desse período continuam a alimentar os conflitos no continente.
Ntoni-A-Nzinga lamentou ainda que os actores políticos continuem, em muitos casos, a alternar discursos sem enfrentar de forma efectiva as causas estruturais da instabilidade.
No final da intervenção, apelou aos angolanos para reflectirem sobre o país que pretendem construir e sobre “que Angola se quer daqui para frente”.




