A saúde capilar deve deixar de ser vista apenas como uma questão estética e passar a ser encarada como parte da saúde geral do indivíduo. A defesa foi feita esta quinta-feira, 24, em Luanda, durante a conferência de imprensa de apresentação do 1.º Congresso Angolano de Tricologia, COATC 2026.
A organizadora do evento, Dina Moreira, explicou, em entrevista à Rádio Correio da Kianda, que o congresso, marcado para 24 de Outubro, vai reunir especialistas nacionais e internacionais de diferentes áreas da saúde, com o objectivo de criar pontes entre a tricologia e outras especialidades.
Segundo a especialista, não é possível falar de cabelo saudável sem considerar o estado geral de saúde da pessoa, uma vez que áreas como nutrição, psicologia, endocrinologia, clínica geral e dermatologia estão directamente relacionadas com a saúde capilar.
Dina Moreira destacou ainda a importância da psicologia no tratamento de determinados problemas relacionados com o cabelo. Entre as situações mais frequentes, apontou a ansiedade, a depressão e a tricotilomania, comportamento caracterizado pelo acto repetitivo de arrancar os próprios cabelos.
A tricologista esclareceu que estes casos não devem ser tratados exclusivamente pela tricologia, defendendo a intervenção de profissionais da área da psicologia sempre que estejam associados a questões emocionais ou comportamentais.
Sobre a utilização de alimentos directamente no cabelo, a especialista desaconselhou a prática e explicou que os nutrientes devem ser obtidos principalmente através da alimentação.
Dina Moreira defendeu que os benefícios das vitaminas e de outros nutrientes chegam ao organismo e podem contribuir para a saúde do folículo piloso, não sendo necessário aplicar alimentos directamente no cabelo.
O congresso pretende também abordar a relação das mulheres com o cabelo natural e os padrões de beleza que, segundo a organização, durante anos contribuíram para afectar a autoestima de muitas mulheres.
A responsável considera que o evento deve ajudar a desconstruir crenças sobre o cabelo crespo e promover uma relação mais saudável com a identidade capilar.
“Elevar a autoestima da mulher e trazer um outro olhar para o nosso tipo de cabelo, desconstruir crenças que, por muitos anos, enraizaram-se até destruírem a nossa autoestima em relação ao nosso cabelo”, explicou.
O 1.º Congresso Angolano de Tricologia pretende, assim, combinar a componente científica com questões de identidade, autoestima e conhecimento sobre os diferentes tipos de cabelo, reunindo profissionais de várias áreas da saúde.




