A secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, Alcina Kindanda, defendeu, sábado, no município de Calumbo, província do Icolo e Bengo, maior envolvimento das famílias, escolas, encarregados de educação e organizações da sociedade civil na protecção dos direitos das raparigas, com vista a combater o casamento infantil, a gravidez precoce e outras formas de violência.
Alcina Kindanda defendeu uma responsabilidade partilhada entre o Estado e a sociedade para garantir um ambiente seguro ao crescimento de crianças e adolescentes.
A governante falava na abertura do acto alusivo ao Dia Internacional da Rapariga, assinalado a 11 de Outubro, sob o lema “Acabe com o casamento infantil e invista nos direitos das meninas”.
“Os desafios em torno da protecção dos direitos das meninas e adolescentes não competem apenas ao Estado; exigem o envolvimento directo das famílias, dos encarregados de educação, das escolas e das comunidades em geral”, afirmou.
Para a responsável, práticas nocivas como o casamento infantil, a gravidez precoce, a agressão sexual e outras formas de violência de género são graves violações dos direitos humanos que comprometem o futuro do país.
Alcina Kindanda alertou que estes factores funcionam como barreiras intransponíveis para a emancipação feminina, uma vez que retiram as jovens das salas de aula, perpetuam o ciclo da pobreza e causam traumas psicológicos e físicos irreversíveis, impedindo que as raparigas atinjam o seu pleno potencial.
Por sua vez, o vice-governador do Icolo e Bengo para o Sector Político e Social, Agostinho António, manifestou uma profunda preocupação com os elevados índices de abandono escolar feminino registados na região.
O governante alertou que a saída prematura das raparigas do sistema de ensino não só compromete o futuro individual de cada jovem, mas também atrasa o desenvolvimento socio-económico das comunidades locais, criando um ciclo de exclusão que urge reverter com políticas públicas mais robustas e direccionadas.
Segundo o responsável, no ano lectivo 2025/2026, cerca de 13% das 185 mil raparigas matriculadas abandonaram a escola, uma situação agravada pela assunção precoce de responsabilidades familiares.
Instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o Dia Internacional da Rapariga visa promover os direitos das meninas e alertar o mundo para os desafios específicos que esta franja social enfrenta globalmente.




