Sinistrados em Benguela denunciam má distribuição de donativos e levantam suspeitas de desvio

Os sinistrados das cheias provocadas pelo transbordo do rio Cavaco, em Benguela, denunciam condições precárias de habitabilidade e dificuldades no acesso aos alimentos e outros bens doados pela sociedade civil e empresários para minimizar os efeitos da tragédia.
Os entrevistados afirmam que, além de consumirem alimentos de qualidade duvidosa, enfrentam limitações no acesso a vestuário e utensílios domésticos, depois de terem perdido todos os seus pertences durante as inundações.
Visivelmente agastados com as condições no centro de acolhimento, os sinistrados reiteram denúncias de alegados desvios de donativos por parte da comissão técnica responsável pela gestão do campismo.
“Vê nos deram só este pacote de arroz e fuba, e vamos comer com o que, e isso é só porque é hoje, há dias mais difíceis aqui. O meu colchão molhou na última chuva que caiu, e todos os dias me dizem amanhã e nada acontece”, reclamaram após terem completado um mês na passada semana desde que ficaram desalojados.
Em resposta às acusações, a vice-governadora para o Sector Político, Social e Económico de Benguela, Cátia Cachuco, minimizou as reclamações e assegurou que não existem margens para desvios, devido ao rigor do sistema de fiscalização implementado no centro de acolhimento.
Segundo a governante, os donativos estão a ser distribuídos exclusivamente aos sinistrados, através dos responsáveis dos diferentes sectores do campismo.
“Cada ponto do centro tem um gestor, que é supervisionado pela estrutura provincial, por isso é muito difícil haver à margem para desvio”, assegurou Cátia Cachuco, que minimizou as reclamações e denúncias dos sinistrados durante uma conferência de imprensa.
Segundo dados, o centro de acolhimento albergar mais de 31 mil sinistrados das cheias de 12 de Abril causadas pelo transbordo do rio Cavaco.


