SJA lamenta queda de Angola no ranking da liberdade de imprensa e Governo contesta relatório

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) manifestou preocupação com a descida de Angola no ranking mundial da liberdade de imprensa, divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), onde o país caiu nove posições, passando a ocupar o 109.º lugar.
A posição foi tornada pública pelo secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, durante a abertura da Conferência Nacional sobre Jornalismo e Liberdade de Imprensa, realizada este sábado, 2, na cidade do Cuíto, província do Bié.
Segundo o responsável, a queda coloca Angola como o país lusófono pior classificado no índice, o que, na sua visão, deve motivar uma reflexão profunda sobre o estado da liberdade de imprensa no país.
Entre as preocupações apontadas, Pedro Miguel destacou a persistência de práticas que contrariam a Lei de Imprensa, nomeadamente a não implementação dos Conselhos de Redacção em várias empresas de comunicação social, defendendo a sua efectiva institucionalização como mecanismo de garantia da independência editorial.
Em reacção, o Governo angolano, através do director nacional de Informação e Comunicação Institucional do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, João Demba, contestou o relatório da RSF, classificando-o como “caracterizado por muitas inverdades e imprecisões”.
O responsável apontou como um dos exemplos o crescimento do número de rádios privadas em Angola, que, segundo disse, contraria a ideia de restrição do espaço mediático.
João Demba refutou igualmente a alegação de falta de abertura nas coberturas presidenciais, sublinhando que tem havido espaço para perguntas e respostas por parte dos jornalistas destacados para esses eventos.
Outra crítica do responsável recai sobre a afirmação de que a imprensa privada não participa na cobertura de grandes eventos nacionais, considerando tratar-se de uma leitura desajustada da realidade do sector.
O posicionamento divergente entre o SJA e o Executivo volta a evidenciar o debate em torno do estado da liberdade de imprensa em Angola, num contexto em que organizações internacionais e actores nacionais apresentam leituras distintas sobre os avanços e desafios do sector.


