Suspeitas de fogo posto alarmam família de empresário português em Viana

Luanda – Dois incêndios ocorridos num intervalo de apenas quatro dias, nos fundos de um complexo industrial e habitacional pertencente ao empresário luso-angolano Domingos José Vieira, estão a causar alarme na sua família, que denuncia a possibilidade de fogo posto com motivações ligadas a um litígio judicial envolvendo outro empresário.
O complexo, situado na zona do Kikuxi, município de Viana, em Luanda, divide espaço com um terreno abandonado há mais de 13 anos. Segundo relatos da família, foi precisamente nesse quintal que se iniciaram as chamas que, por duas vezes, ameaçaram a integridade física da residência e das infraestruturas.
De acordo com a esposa do empresário, Sónia, cidadã de origem chinesa e também administradora do complexo, o primeiro incêndio ocorreu por volta das 19h00 de sexta-feira, 4 de julho. “Minutos depois de os nossos filhos brincarem no telhado, onde têm o hábito de fazer atividades artísticas, fomos surpreendidos por fumo e chamas a invadir os quartos da casa”, relatou. O fogo, segundo ela, começou na área traseira do terreno adjacente, que se encontra desabitado há anos.
Já o segundo incidente foi registado na tarde de quarta-feira, 8 de julho, por volta das 15h00. Testemunhas afirmam ter visto um indivíduo desconhecido no interior do terreno abandonado momentos antes do início do fogo. Após o surgimento das chamas, o suspeito colocou-se em fuga. O incêndio consumiu parte do capim seco e chegou a atingir uma das mais de 60 viaturas estacionadas dentro do complexo, antes de ser controlado com a ajuda de moradores e funcionários.
A família suspeita que os incêndios tenham origem criminosa e acusa um empresário rival de tentar apoderar-se do imóvel por meios ilícitos. “Não é a primeira vez que isso acontece. Acreditamos que há um mandante com interesse direto na nossa propriedade”, afirmou Sónia.
Perigo iminente e ausência de resposta
Um dos principais receios da família reside na existência de um tanque de reserva com milhares de litros de combustível, utilizado para abastecer as máquinas e veículos do complexo. “Qualquer novo foco de incêndio pode causar uma tragédia”, alerta a responsável, que apela à intervenção urgente das autoridades locais.
Apesar da gravidade da situação, os seguranças da área afirmam não ter presenciado movimentos suspeitos. A Administração Municipal de Viana reconhece que o terreno vizinho está abandonado há mais de 11 anos, representando um risco constante para a vizinhança.
Litígio judicial e direito à propriedade
O empresário Domingos José Vieira encontra-se envolvido num processo judicial em disputa patrimonial com outro empresário português. A família teme que os incêndios estejam relacionados com o litígio.
À margem dos acontecimentos, a reportagem relembra que, de acordo com a Lei de Terras de Angola (Lei n.º 6/04, de 9 de novembro), o uso eficaz da terra é uma condição fundamental para a manutenção de direitos fundiários. A legislação não prevê a aquisição de terrenos do domínio privado do Estado por usucapião e considera passível de extinção os direitos de ocupação em caso de não aproveitamento.
A família já apresentou participação formal às autoridades policiais, mas até ao momento não há detenções ou investigações visíveis. “Queremos viver em paz e com segurança. Esse terreno abandonado precisa de uma solução urgente”, conclui Sónia.


