A TAAG passou a concentrar, desde 15 de Setembro, a comercialização de bilhetes para a rota Luanda-Cabinda-Luanda nos seus canais oficiais, uma medida que prevê a disponibilização de mais de 9.800 lugares para compra até 31 de Dezembro.
De acordo com uma nota a que o Jornal Online teve acesso, a nova modalidade de venda estabelece que os bilhetes para a referida rota sejam adquiridos através do call center, da aplicação móvel, do website e das lojas oficiais da companhia aérea nacional, deixando as agências de viagens de efectuar a comercialização directa dos lugares.
A medida surge no âmbito do processo de transformação em curso na TAAG e tem como objectivo reforçar o controlo e a transparência na comercialização dos bilhetes, melhorar o atendimento aos passageiros e reduzir práticas irregulares que têm afectado o acesso aos lugares na rota Luanda-Cabinda.
Com a concentração das vendas nos canais próprios, a companhia pretende assegurar que os lugares disponibilizados sejam directamente acessíveis aos passageiros, reduzindo a intermediação no processo de aquisição dos bilhetes.
A decisão, no entanto, gerou reacções entre as associações de agências de viagens, que defendem esclarecimentos sobre os critérios que determinaram o afastamento das empresas nacionais da comercialização dos bilhetes.
Agências pedem esclarecimentos
As associações AAVA, AAVOTA e AAAV solicitaram, quinta-feira, em Luanda, esclarecimentos sobre a medida, durante uma conferência de imprensa realizada no Hotel Fórum.
As organizações afirmaram que o afastamento das agências se mantém há cerca de 15 dias e manifestaram preocupação com as dificuldades que, segundo disseram, continuam a ser verificadas na disponibilidade de lugares e no atendimento aos passageiros.
Entre as questões levantadas está também a alegada disponibilidade dos mesmos voos através de plataformas no estrangeiro, enquanto as agências nacionais permanecem impedidas de efectuar a venda.
As associações consideram que eventuais irregularidades na comercialização de bilhetes devem ser apuradas e atribuídas aos responsáveis, sem que as empresas que cumprem as regras sejam afectadas por práticas de terceiros.
Segundo as organizações, o sistema de reservas permite identificar os intervenientes no processo, nomeadamente quem efectuou a reserva, quem emitiu o bilhete e as condições em que a operação foi realizada.
Passageiros com bilhetes enfrentam dificuldades
Outro aspecto levantado pelas associações está relacionado com os passageiros que adquiriram anteriormente bilhetes através das agências de viagens e que, segundo as organizações, enfrentam dificuldades para efectuar alterações ou obter assistência.
As associações questionam igualmente a disponibilidade dos lugares anunciados pela TAAG até ao final do ano, alegando que persistem dificuldades para passageiros que pretendem viajar para Cabinda.
A AAVA, AAVOTA e AAAV defendem, por isso, maior transparência no processo e o apuramento das causas que estiveram na origem da decisão, bem como a reposição do funcionamento das agências nacionais na comercialização dos bilhetes.
Para as organizações, a questão ultrapassa os interesses do sector das agências de viagens, por envolver igualmente a mobilidade dos passageiros para Cabinda, província que não dispõe de ligação terrestre directa ao restante território nacional.
A medida da TAAG mantém-se, entretanto, em vigor, com a companhia a disponibilizar os lugares da rota através dos seus canais oficiais até 31 de Dezembro.




