TAAG: Mercado paralelo de bilhetes indigna passageiros

Luanda - Ganha força a venda de bilhetes da TAAG nos canais não oficiais nas rotas Cabinda-Luanda, a preços exorbitantes, perante o silêncio das autoridades. Cidadãos dizem que é mais fácil viajar para a Europa do que em Angola.
Por isso, Luzolo defende: "A TAAG precisa aparecer. Precisa falar, precisa explicar o que está realmente a acontecer e acima de tudo, ser transparente. Transparência não é um favor, é uma obrigação. Enquanto este silêncio continuar, a desconfiança aumenta, o mercado paralelo cresce e o distanciamento entre o Estado e a população só piora." Sob anonimato, um dos comerciantes informais, mais conhecidos como "muambeiros", que compra bilhetes diretamente às Linhas Aéreas de Angola para revender, explicou à DW como tudo funciona: "Basta fornecer uma cópia do BI e ter pelo menos 40 a 50 mil kwanzas (equivalente a 42 euros e 52 euros), isto depende muito dos dias." Há passageiros da companhia área angolana que consideram que é propositada a escassez de bilhetes, atendendo ao facto de a província ter todos os dias voos para Luanda. "A verdade é que as pessoas aqui em Cabinda já estão cansadas. O cenário que estamos a viver faz nascer uma preocupação real, sobretudo quando muita gente afirma abertamente que é mais fácil viajar para a Europa do que simplesmente sair de Cabinda para Luanda e vice-versa", desabafou o passageiro Francisco Ngimbi. Menos tempo, mais tempo, como mudar isto? O executivo angolano assegura que a província de Cabinda continua a merecer uma atenção diferenciada no plano da aviação doméstica, com quatro a cinco voos diários, com uma taxa de ocupação de 98%. Com a política de subvenção implementada, a rota Luanda-Cabinda aumentou de 87.458 passageiros em 2017 para 228.998 passageiros em 2024. O Presidente angolano, João Lourenço, no seu discurso sobre o estado da Nação, disse que o país deverá receber, até 2027, um total de 15 unidades Airbus A220-300 e para consolidar a frota de longo curso outros quatro Boeing 787-9. No entanto, para Domingos Jeremias, residente em Cabinda, isso não basta: "Mais do trazer mais aeronaves é preciso fiscalizar e acionar mecanismos para punir e acabar com essas práticas e abrir portas para outras companhias ampliando a concorrência da TAAG."



