Taxa de prevalência do VIH/Sida nos reclusos em Angola é de 3,4 por cento

Luanda - A taxa de prevalência do VIH/Sida entre os reclusos no país é de 3,4 por cento, num universo de 24 mil e 58 existentes nas cadeias, segundo o Inquérito Integrado Biológico e Comportamental sobre a doença, apresentado, esta segunda-feira, em Luanda.
Os dados foram apresentados no workshop sobre apresentação dos resultados do do inquérito, indicando que a percentagem é relativamente mais alta do que na população geral, em que está em 1,6 por cento.
De acordo com a especialista Maria Marques, o estudo demonstra uma maior prevalência na Hepatite B, com 14,4 por cento, além da Sífilis, com 2,1 por cento, e a Hepatite C, com 0,6.
Maria Marques disse que o inquérito foi realizado, entre Novembro de 2024 e Abril do corrente ano, em 17 dos 36 estabelecimentos prisionais do país, nas províncias de Benguela, Bié, Cuanza Sul, Luanda, Lunda Norte, Cunene, Bengo, Malanje e Uíge.
Referiu que a prevalência do VIH/Sida é maior no Cunene e na Lunda Norte, com mais de cinco por cento e também no sexo feminino, com a faixa etária mais atingida dos 25 anos ou mais.
Por seu turno, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Pinto de Sousa, disse que o estudo constitui um instrumento essencial para o reforço da prevenção do VIH/Sida em Angola, reconhecendo que o inquérito permite compreender com maior precisão os padrões de prevalência, os comportamentos de risco, os acessos ao serviço de prevenção, testagem e tratamento, bem como as barreiras estruturais, incluindo o estigma e a discriminação.
Realçou que toda a resposta nacional ao VIH/Sida, incluindo os planos estratégicos, protocolos e directrizes, assenta na ciência e na evidência, alinhada com as recomendações internacionais e adaptada ao contexto nacional, com o fim de não deixar ninguém para trás.
Por seu turno, o secretário de Estado para o Asseguramento Técnico do Ministério do Interior, Cristiano Ndeitunga, ressaltou que a garantia de boas condições de saúde da população penal constitui um pilar imprescindível no asseguramento dos seus direitos humanos e uma condição imprescindível para um processo harmonioso de reeducação e reinserção da sociedade.
Salientou que o inquérito fornece dados necessários para orientar políticas públicas mais eficazes, identificar as lacunas das estratégias de identificação, reforçar programas de prevenção, testagem e tratamento, assim como permitir uma melhor coordenação intersectorial, integrando áreas como saúde, segurança, educação e acção social.
Para o coordenador residente interino do Sistema das Nações Unidas em Angola, Diego Zorrilla, os resultados do inquérito assumem especial relevância para Angola e recordam que ainda existem lacunas na prevenção, especialmente entre mulheres, adolescentes, jovens e populações chave.
Os dados do inquérito destacam a necessidade de cada ministério incluir, nos seus orçamentos, linhas específicas para prevenção, cuidados e tratamento do VIH/Sida, garantindo recursos adequados para uma resposta intersectorial coordenada e sustentável.



