A falta de mobilização pública em torno da importância do leite materno na vida dos bebés continua a ser uma das maiores dificuldades a nível do país, para que o acesso a esse bem precioso seja o mais abrangente possível, lamentou, ontem, a chefe de Enfermagem do Banco de Leite Humano.
Janete Pedro disse que, para contrapor a situação, é preciso reforçar mais a educação para a saúde, assim como criar melhores estratégias na cadeia de apoio ao Aleitamento Materno, por meio do aumento de dadoras. A chefe de Enfermagem recordou que todas as unidades hospitalares, com serviço de internamento neonatal, necessitam dos serviços de um Banco de Leite ou de ter um posto de recolha de Leite Humano. “Muitos dos bebés internados nem sempre têm as mães ao lado para os amamentar”, recordou, acrescentando que a amamentação, mais do que nutrir, é criar um vínculo afectivo entre mãe e filho. “Apelo a todas as mães em fase de amamentação que sigam as recomendações de dar de mamar exclusivamente do zero aos 6 meses e fazer esse processo de forma contínua até aos dois anos, pois que o leite materno fortalece o corpo do bebé e ajuda a prevenir doenças”, referiu, além de aconselhar as mães que têm produção abundante de leite a procurarem o Banco de Leite Humano para partilhar este líquido milagroso. Actualmente, continuou, têm contado apenas com dadoras ligadas à Maternidade Lucrécia Paim. As mulheres do Ministério do Interior, reconheceu, são as dadoras habituais. “Mas precisamos de mais mulheres saudáveis dispostas a partilhar o seu leite”. Lema oficialA Semana Mundial do Aleitamento Materno, a decorrer até sexta-feira, 7, tem como lema oficial “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”. A data, de acordo com a Aliança Mundial para Acção em Aleitamento Materno (WABA na sigla em inglês), vai procurar, este ano, avaliar o impacto da amamentação na nutrição, segurança alimentar e redução da pobreza, por meio de acções locais como a promoção de palestras, mobilizações sociais e campanhas educativas em serviços de saúde. A meta, com base no anuncio deste ano da organização WABA, é fortalecer a rede de apoio às famílias nas comunidades. Celebrada todos os anos, com o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância(UNICEF), dos Ministérios da Saúde e parceiros da sociedade civil, o acto tem como principal objectivo incentivar o aleitamento materno e melhorar a saúde dos bebés em todo o mundo. Alerta socialO aleitamento materno é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência das crianças e, no entanto, actualmente, menos de metade dos bebés com menos de 6 meses de idade são amamentados exclusivamente. Em 2018, uma resolução da Assembleia Mundial da Saúde da OMS, aprovou a Semana Mundial do Aleitamento Materno como uma importante estratégia de promoção da saúde. Com um tema diferente todos os anos, a semana visa promover os ambientes propícios que ajudam as mulheres a amamentar - incluindo o apoio na comunidade e no local de trabalho, com protecções adequadas nas políticas e leis governamentais - bem como a partilha de informações sobre os benefícios e estratégias de amamentação. Agosto douradoO mês de Agosto é considerado dourado, como forma de incentivar à consciencialização sobre a importância do aleitamento materno e à defesa das condições necessárias para que as mulheres possam amamentar. As recomendações internacionais indicam que os bebés devem receber somente leite materno nos primeiros seis meses de vida e a amamentação continue, junto com a alimentação complementar, até aos dois anos ou mais. O leite materno oferece os nutrientes que o bebé precisa, assim como ajuda a protegê-lo contra infecções e contribui para o seu crescimento e desenvolvimento. De acordo com os dados actuais, estima-se que o aleitamento materno possa reduzir em até 13 por cento as mortes de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis.




