Terapeutas tradicionais debatem sobre vacinação

O incentivo à vacinação de rotina nas comunidades levou a direcção do Gabinete da Saúde do Cuanza-Norte a realizar um seminário de capacitação dos técnicos, como forma de aumentar a cobertura vacinal, prevenir doenças e reduzir a mortalidade infantil.
O chefe do Departamento de Saúde Pública da instituição, Moisés Kusseve, disse que o seminário, que termina hoje, está a ser realizado como forma de reforçar a integração dos terapeutas tradicionais nas acções de promoção da vacinação de rotina. Sob o tema: “Terapeutas Tradicionais pela Vacinação de Rotina”, a actividade, promovida com o apoio da UNICEF, vai procurar, também, de acordo com o chefe de departamento, incentivar mais a aproximação destes profissionais com as comunidades. O responsável afirmou que a vacinação continua a ser uma das intervenções de saúde pública mais eficazes para prevenir doenças evitáveis, salvar vidas e garantir um crescimento saudável das crianças, assim como realçou que o sucesso do Programa Alargado de Vacinação depende do envolvimento de todos os actores da comunidade. Segundo Moisés Kusseve, os terapeutas tradicionais desempenham um papel de grande relevância nas comunidades, sendo frequentemente a primeira referência das famílias na procura de aconselhamento e cuidados de saúde. “Por essa razão, é indispensável a participação activa destes profissionais na sensibilização da população para a importância da vacinação de rotina”, disse. O seminário, explicou, vai criar um espaço de diálogo e partilha de experiências entre os profissionais da saúde e os terapeutas tradicionais, permitindo identificar boas práticas, compreender os principais desafios e definir estratégias conjuntas capazes de reforçar a confiança das famílias nos serviços de saúde. Durante a actividade, acrescentou, será realizado um mapeamento entre pares para conhecer melhor as práticas da medicina tradicional, identificar barreiras existentes e reconhecer oportunidades que contribuam para o fortalecimento das acções de promoção da saúde na província. Moisés Kusseve disse estar convicto de que o trabalho conjunto, baseado no respeito pelos saberes tradicionais e na cooperação entre as comunidades e os serviços de saúde, permitirá alcançar melhores resultados na protecção da saúde infantil. Cadastro e fiscalizaçãoO terapeuta tradicional e soba grande do município de Lucala, Gaspar Ambrósio, defendeu a necessidade de se proceder ao cadastramento dos terapeutas tradicionais, como forma de identificar os profissionais que exerçam a actividade e assegurar um maior controlo das suas práticas. O responsável alertou para a falta de conhecimento da população sobre a medicina tradicional, tendo lamentado a existência de pessoas sem qualificação a utilizarem, de forma inadequada, medicamentos tradicionais, contribuindo para perturbar o trabalho desenvolvido pelos profissionais devidamente reconhecidos. Maior articulação O vice-presidente da Câmara dos Terapeutas Tradicionais de Angola afirmou, durante o seminário, que existem, no país, centenas de praticantes da medicina tradicional, alguns certificados e outros a exercerem a actividade com base em conhecimentos. Lucas Figueira defendeu uma maior articulação entre a medicina convencional e a tradicional, sustentando que ambas se complementam no atendimento às populações, sobretudo nas zonas onde os terapeutas tradicionais representam o primeiro ponto de contacto com os doentes. Contudo, lamentou o facto de alguns terapeutas manterem pacientes sob os seus cuidados durante demasiado tempo, encaminhando-os para as unidades sanitárias apenas quando o estado clínico já se encontra em fase avançada. “O ideal é que haja uma colaboração permanente entre os dois sistemas, para que os pacientes recebam o tratamento adequado no momento certo”, afirmou.


