Cerca de três em cada dez estudantes angolanos beneficiários de bolsas de estudo no estrangeiro não regressam ao país depois de concluírem a formação académica, segundo dados avançados pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE).
O director-geral da instituição, Domingos Canguembe, estima em cerca de 70% a taxa de regresso dos bolseiros externos, reconhecendo a existência de casos de estudantes que permanecem nos países onde realizaram os estudos, mesmo depois de terminarem a formação.
Segundo o responsável, o fenómeno regista maior incidência entre os licenciados, enquanto os estudantes que concluem cursos de pós-graduação e doutoramento apresentam uma maior tendência de regresso a Angola.
A situação levanta preocupações sobre o aproveitamento dos quadros formados no exterior com o apoio do Estado e a sua contribuição para o desenvolvimento do país, sobretudo numa altura em que a formação de recursos humanos qualificados constitui uma das necessidades nacionais.
Perante este cenário, o INAGBE pretende reforçar os mecanismos de acompanhamento dos bolseiros e recorrer à aplicação rigorosa da legislação sobre protecção de dados, com vista a enfrentar os casos de permanência no estrangeiro após a conclusão dos estudos.
Domingos Canguembe assegura, entretanto, que o Estado angolano mantém o compromisso com os bolseiros internos e externos, no âmbito do apoio à formação académica e profissional dos cidadãos.
Os dados apresentados pelo INAGBE indicam que, em cada dez bolseiros externos, cerca de sete regressam ao país após a formação, enquanto três permanecem no estrangeiro. A instituição não avançou, contudo, detalhes sobre o período de referência dos dados nem sobre o número total de bolseiros abrangidos.




