Huambo - O Tribunal da Comarca do Huambo iniciou, esta segunda-feira, o julgamento do caso da morte do comerciante mauritaniano Abdraman Salé, cujo cadáver foi colocado numa arca e atirado ao rio Keve, a 24 de Novembro de 2025.
Huambo - O Tribunal da Comarca do Huambo iniciou, esta segunda-feira, o julgamento do caso da morte do comerciante mauritaniano Abdraman Salé, cujo cadáver foi colocado numa arca e atirado ao rio Keve, a 24 de Novembro de 2025.
Segundo o Ministério Público, representado por Avelino Capessa, no caso, sob o processo número 326/2026, estão envolvidos quatro cidadãos nacionais, nomeadamente Vitorino Luís Sangombe, Florindo Chinguali Lucas, Joaquim Domingos Zito e Egas dos Santos e um mauritaniano, Mohammed Val Sidi Abib, principal mandante.
Os co-arguidos são acusados nos crimes de homicídio qualificado em razão dos meios, atentado contra a integridade de restos mortais, fabrico, aquisição ou posse de substâncias explosivas, tóxicas e asfixiantes, associação criminosa e furto qualificado, previstos no Código Penal Angolano.
A sessão, que decorre na Secção Criminal do Tribunal da Comarca do Huambo, tem como juiz presidente da causa, Sebastião Nangamale.
A vítima, de acordo com o Ministério Público, residia no município do Andulo, província do Bié, onde foi aliciado para o Huambo, pelo seu conterrâneo Mohammed Val Sidi Abibi, sob o pretexto de um negócio de diamantes.
De acordo com a acusação, a 18 de Novembro de 2025, Mohammed Val Sidi Abibi pediu aos co-arguidos Florindo Chinguali Lucas e Joaquim Domingos Zito para o ajudarem a recuperar, uma dívida de 45 milhões de Kwanzas em posse de Abdraman Salé, residente no município do Andulo (Bié).
Conforme os factos constantes nos autos, para convencer os co-arguidos, Mohammed Val Sidi Abibi disse que o conterrâneo matou o seu irmão para se apoderar dos 45 milhões de Kwanzas, resultantes da venda de uma pedra de diamante no Andulo, para além de o mesmo ter estuprado a sua mãe.
Ainda para aliciá-los, acrescentou, prometeu, caso resgatassem o montante, compensar a cada um com quatro milhões 500 mil Kwanzas e uma motorizada, pois não estava interessado em resolver o caso junto das autoridades policiais.
Na sequência, disse Avelino Capessa, a 24 de Novembro de 2025, o principal suspeito citado nos autos, convidou a vítima a deslocar-se no interior do seu armazém e, sem que o mesmo suspeitasse, retirou-se do espaço, para que os co-arguidos pratiquem o crime.
Já no armazém, cita a acusação, Florindo Chinguali Lucas e Joaquim Domingos Zito amarraram Abdraman Salé nos membros superiores e inferiores e obrigaram-no a entregar os códigos do cartão multicaixa e para desbloquear o aplicativo de pagamento automático no telemóvel.
Não tardou, apareceu no mesmo local o outro co-arguido Vitorino Luís Sangombe, também para recuperar os 45 milhões de Kwanzas da dívida, tendo, na ocasião, tapado a boca e o nariz da vítima com um pano, para além de, recorrentemente, torcer o pescoço deste e a asfixia-lo, para aumentar a sua dor.
Momentos depois, continuou o magistrado, Mohammed Val Sidi Abibi, também já no local, colocou várias vezes no rosto da vítima gás lacrimogéneo, adquirido a partir do co-arguido Egas dos Santos, até que a vítima perdeu os sentidos e morreu.
De acordo o Ministério Público, para se desfazer do cadáver, Florindo Chinguali Lucas e Joaquim Domingos Zito, devidamente autorizados por Mohammed Val Sidi Abibi, tiraram uma arca nova no stock do armazém, onde colocaram o corpo, enquanto Vitorino Luís Sangombe foi buscar a sua viatura para transportar o corpo para um local previamente consertado.
Assim, por volta das 20 horas do mesmo dia, os quatro co-réus viajaram em direcção ao rio Keve, no município do Pambandala, província do Cuanza-Sul, onde atiraram o corpo cadavérico.
De regresso ao Huambo, no dia seguinte, o acusado Vitorino Luís Sangombe vendeu a arca ao preço de 120 mil Kwanzas a um cidadão nacional.
Sem piedade e remorso, diz o Ministério Público, Mohammed Val Sidi Abibi apossou-se de toda a mercadoria, da chave da viatura, um telemóvel, o cartão multicaixa e outros pertences do malogrado.
O co-réu Egas dos Santos, efectivo da Polícia Nacional, acusado apenas no crime de fabrico, aquisição de substâncias explosivas, tóxicas e asfixiante, rejeitou nos autos ter entregado o artefacto militar ao Mohammed Val Sidi Abibi, mas, sim, de ter esquecido na viatura do mandante.
Segundo o certificado de óbito do Hospital Geral do Huambo, a causa da morte de Abdraman Salé foi atestada como asfixia mecânica e química, traumatismo crânio-cefálico fechado e choque traumático, como consequência da agressão física.
Durante as questões prévias, os advogados negaram a acusação dos seus constituintes e pediram a sua absolvição, por insuficiência de provas.
No primeiro dia de audiência foram ouvidos os cinco co-arguidos.
A sessão prossegue terça-feira, com a audição dos seis declarantes arrolados no processo. ZZN/ALH




