A representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destacou, nesta quarta-feira, em Luanda, o papel directo dos órgãos de comunicação social no combate aos preconceitos e na promoção da dignidade humana. De acordo com a responsável, a imprensa é uma aliada fundamental na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com especial enfoque na protecção e inclusão das crianças que vivem nesta condição.
Ao abrir o ciclo de formação para jornalistas sobre o tema “Inclusão, deficiência e comunicação baseada nos direitos da criança”, Cristina Brugiolo ressaltou que uma cobertura ética exige o uso de terminologia adequada. Para a diplomata, a comunicação inclusiva deve assegurar formatos acessíveis, dar voz directa aos protagonistas e evitar narrativas pautadas no coitadismo, na dependência ou no heroísmo.
A representante do UNICEF defendeu ainda que os profissionais de imprensa devem ir além dos obstáculos enfrentados pelas pessoas com deficiência. Segundo Cristina Brugiolo, as matérias jornalísticas precisam evidenciar o potencial, as aspirações, as conquistas e os contributos reais que esses cidadãos trazem para a sociedade.
Barreiras
O director de Inclusão Nacional para as Pessoas com Deficiência do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Micael Daniel, sublinhou que cada indivíduo nesta condição é único. Diante dessa individualidade, o responsável destacou que as políticas públicas e as respostas sociais não podem ser padronizadas para responder a realidades tão distintas.
De acordo com o responsável, uma criança com deficiência visual enfrenta bar- reiras completamente distintas de um menor com surdez, deficiência intelectual ou limitações físicas.
Durante a sua intervenção, Micael Daniel sublinhou que a inclusão significa reconhecer a diferença e criar condições para que cada indivíduo participe da sociedade em igualdade de oportunidades.
No plano internacional, o director lembrou que o Artigo 7.º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência determina que os menores devem usufruir plenamente de todas as liberdades fundamentais, tendo o seu superior interesse como prioridade absoluta.
O titular da Direcção Nacional de Inclusão do MASFAMU apelou ao combate urgente de estereótipos e preconceitos, encorajando a comunicação social a tratar o tema com o máximo respeito e dignidade.
Direitos das crianças
Para o Governo de Angola, o ciclo de formação dirigido aos jornalistas vai além da transmissão de conhecimentos técnicos; trata-se de um passo crucial para assegurar a implementação efectiva dos direitos das crianças com deficiência.
A acção formativa, promovida pelo UNICEF em parceria com a Federação Angolana das Associações de Pessoas com Deficiência (FADPD), reuniu profissionais de vários órgãos de comunicação social e porta-vozes institucionais.
Durante o evento, os participantes foram capacitados em temas essenciais, como conceitos sobre deficiência, diversidade humana, terminologia adequada e linguagem inclusiva. A formação, dividida em três fases (7 de Outubro, 4 de Novembro e 2 de Dezembro), visa fortalecer a compreensão e as competências dos profissionais da comunicação social em matérias de inclusão e direitos humanos. O programa tem ainda como objectivo fundamental promover uma cobertura jornalística ética, responsável e acessível. O foco principal da iniciativa é consolidar um jornalismo baseado nos direitos humanos, com especial enfoque na protecção e salvaguarda dos direitos das crianças em Angola.
Manuela Gomes e Lúcis Mateus




