Os clientes da rede de telefonia móvel Unitel — tanto particulares como empresas, supermercados e lojas — enfrentam, pelo terceiro dia consecutivo, fortes constrangimentos no acesso aos serviços.
A instabilidade na rede tem afectado gravemente as transacções comerciais e o pagamento de produtos e serviços, constatou ontem o Jornal de Angola. Num supermercado na Baixa de Luanda, o cliente Alberto Paletas viu-se obrigado a abandonar o estabelecimento sem conseguir efectuar as suas compras. O jovem empreendedor relatou as dificuldades crescentes em realizar transacções diárias através de Terminais de Pagamento Automático (TPA), Multicaixa Express ou via Código QR. “Como empreendedor, tenho inúmeros pagamentos e compras por fazer, mas, infelizmente, não tem sido possível. A maior parte dos estabelecimentos e fornecedores já não aceita pagamentos em numerário. Isto obriga-me a deslocar-me a uma agência bancária e a enfrentar longas filas para levantar valores com cheque avulso, o que também acarreta custos adicionais. É uma perda enorme para o nosso negócio”, lamentou. Natural da província de Benguela, Alberto Paletas deslocou-se a Luanda com o objectivo de adquirir mercadorias. No entanto, deparou-se com a quebra generalizada na rede da maior operadora de telefonia móvel do país, que soma milhões de utilizadores afectados. Pagamento electrónicoDenilson Ferreira, balconista numa loja de vestuário masculino, relatou que a instabilidade no sistema da Unitel tem causado prejuízos financeiros significativos ao negócio desde terça-feira. “Recebi um cliente que comprou várias peças, mas que se viu obrigado a efectuar o pagamento em numerário, uma vez que as plataformas electrónicas estavam inoperantes”, explicou. O mesmo cenário repetiu-se com outro cliente que pretendia realizar uma compra de valor elevado. “Ele escolheu mais de cinco peças, o que representaria a nossa maior venda do dia. Infelizmente, a transacção por Código QR falhou e o TPA emitiu a mensagem ‘Falha na comunicação’”, lamentou o funcionário. O descontentamento com o apagão tecnológico também era visível em Domingos Esteves, que tentava, sem sucesso, adquirir um telemóvel. “Vou ter de me deslocar a uma agência bancária para levantar dinheiro e conseguir comprar o aparelho. No entanto, só poderei fazê-lo amanhã, pois sei que as agências mais próximas estão sobrelotadas devido a esta situação”, desabafou Domingos Esteves. Operadora garante restabelecimento gradual dos serviços A UNITEL emitiu, ontem, um comunicado em que informa que a recuperação gradual dos serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet teve início na passada quarta-feira, 29 de Julho. De acordo com a nota, os serviços móveis de voz e dados (excepto SMS) já se encontram parcialmente repostos. As melhorias na rede podem ser verificadas nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando, Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Malanje, Lunda-Norte e Namibe, estando prevista a reposição parcial nas restantes regiões do país nas próximas horas. O incidente, registado na madrugada de 28 de Julho de 2026, afectou os serviços em todo o território nacional, impactando tanto clientes particulares como corporativos. No documento, a maior operadora de telecomunicações do país levanta formalmente a suspeita de sabotagem cibernética de grande escala. A administração da empresa sublinha que a paragem abrupta do sistema ocorreu num momento crucial para a sua história financeira, sugerindo que a infra-estrutura tecnológica pode ter sido alvo de um ataque criminoso planeado para desestabilizar a reputação da marca junto do mercado de capitais. “A UNITEL não pode deixar de notar a coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação das acções na Bolsa de Valores, pelo que não exclui, entre as hipóteses em avaliação, tratar-se de um ataque deliberado e dirigido, com o possível intuito de perturbar o processo de admissão das acções à negociação”, detalha a nota oficial.




