A vacinação deve assumir um papel central na estratégia de Angola para travar a propagação da Mpox, defende o especialista em saúde pública Jeremias Agostinho, numa altura em que o país já ultrapassou os 600 casos confirmados.
Durante a sua participação na rubrica Tem a Palavra, da Rádio Correio da Kianda, Jeremias Agostinho considerou que a facilidade de transmissão da doença pode favorecer o surgimento de casos em todas as províncias do país.
“Provavelmente vamos ter todas as províncias com casos notificados porque a doença transmite-se com muita facilidade”, afirmou o especialista.
Perante este cenário, Jeremias Agostinho aponta a vacinação como uma das principais ferramentas para interromper a cadeia de transmissão. Segundo o especialista, Angola já dispõe de vacinas, mas a quantidade disponível ainda não permite uma vacinação generalizada da população.
“Do ponto de vista estratégico, a única estratégia ideal para cortar essa cadeia de transmissão vai ser mais uma vez a vacinação”, afirmou.
Angola adquiriu 50 mil doses de vacina contra a Mpox, que estão a ser administradas prioritariamente aos contactos de pessoas infectadas e aos profissionais de saúde directamente envolvidos no atendimento dos casos.
A estratégia de vacinação dirigida está também alinhada com as orientações da Organização Mundial da Saúde, que recomenda a vacinação das pessoas com maior risco de exposição, incluindo contactos próximos de casos e profissionais de saúde expostos. A OMS não recomenda actualmente a vacinação em massa da população como estratégia geral.
O alerta do especialista surge num momento de expansão das notificações. Nas últimas 24 horas, Angola registou mais 19 casos, elevando para 615 o número total de infecções, com 107 casos activos. Os novos casos foram identificados no Moxico Leste, Luanda, Cabinda, Moxico, Huambo, Icolo e Bengo, Namibe e Uíge.
Além da vacinação, Jeremias Agostinho defende o reforço da comunicação e do envolvimento das comunidades no combate à doença. O especialista considera importante mobilizar autoridades tradicionais, igrejas e outras instituições com capacidade de levar informação às populações.
A disponibilidade de água potável é outra preocupação levantada pelo especialista. Jeremias Agostinho entende que as dificuldades de acesso à água podem complicar a adopção de medidas básicas de higiene, como a lavagem frequente das mãos.
O Ministério da Saúde mantém em curso medidas de vigilância, prevenção, diagnóstico e resposta à Mpox, no âmbito do Plano Nacional de Resposta e Controlo da doença, e tem reforçado a comunicação pública sobre formas de transmissão e prevenção.
Para o especialista, a combinação entre vacinação dirigida, vigilância epidemiológica, comunicação e mobilização das comunidades será fundamental para limitar a expansão da Mpox no país.




