Vendedores nas estradas desafiam perigo para garantir sustento das famílias

Entre o intenso tráfego automóvel, buzinas e o calor escaldante, dezenas de vendedores ambulantes continuam a ocupar diariamente as principais artérias da cidade, numa luta constante pela sobrevivência. Para muitos, cada semáforo representa uma oportunidade de venda; para outros, um risco permanente de acidente.
A falta de emprego e as dificuldades económicas têm levado um número crescente de cidadãos, sobretudo jovens, a procurar no comércio ambulante uma forma de garantir o sustento das suas famílias. Água, refrigerantes, frutas, bolachas e diversos produtos são vendidos junto às estradas, num cenário que se tornou cada vez mais comum nas zonas urbanas.
Um dos vendedores ouvidos pela Rádio Correio da Kianda explicou que encontrou nesta actividade a única alternativa para gerar rendimento.
“Faço este trabalho por falta de emprego, para não ficar sentado em casa à espera”, afirmou.
Entre os automobilistas, há quem reconheça o esforço destes vendedores, mas defenda a criação de mais oportunidades de emprego para a juventude, de forma a reduzir a presença de pessoas nas vias públicas.
“Devia haver mais oportunidades de emprego, porque vejo que a maior parte das pessoas que fazem este serviço são jovens”, declarou um condutor.
Para o sociólogo António Catemba, o crescimento do comércio informal nas estradas não é um fenómeno novo, mas continua a constituir um desafio social e económico que merece atenção das autoridades.
Segundo o especialista, a persistência da actividade está directamente relacionada com as dificuldades de inserção no mercado formal de trabalho e com as condições económicas enfrentadas por muitas famílias.
Catemba recorda que o Executivo tem procurado responder à situação através do Programa de Ordenamento do Comércio Informal, uma iniciativa que visa organizar a actividade comercial, criar melhores condições para os vendedores e reduzir os riscos associados à venda em locais impróprios.
Enquanto soluções estruturais não surgem, milhares de vendedores continuam a desafiar diariamente o perigo das estradas, numa busca incessante por rendimento e melhores condições de vida.


