Dezenas de vendedores do Mercado do 30, em Luanda, afirmam ter perdido valores avultados num alegado esquema de burla através de um sistema informal de kixikila gerido por um comerciante de nacionalidade congolesa.
O esquema funcionava com contribuições diárias de 1.000, 1.500 ou 2.000 kwanzas, registadas em cadernos por equipas que percorriam o mercado para recolher os valores. O dinheiro era entregue ao proprietário de uma loja de electrodomésticos, identificado pelos lesados apenas como Herdeiro, cidadão da República Democrática do Congo.
Segundo as vendedoras, a adesão ao sistema era motivada, entre outros factores, pelas dificuldades encontradas no sistema bancário. Algumas afirmam que evitavam guardar grandes quantias em casa devido às enchentes, enquanto outras apontam as longas filas e as falhas nos sistemas dos bancos como razões para recorrerem ao kixikila.
O acordo estabelecia que, após o encerramento do cartão, entre os dias 1 e 30 de cada mês, os participantes poderiam levantar o valor acumulado ou trocá-lo por electrodomésticos na loja.
O caso terá ocorrido no último fim de semana. De acordo com os lesados, o comerciante abandonou o local entre sábado e domingo, tendo retirado os bens da loja, que funcionava num espaço arrendado.
Desde então, o contacto telefónico do comerciante encontra-se desligado e, segundo os vendedores, até os funcionários da loja ficaram sem receber os respectivos salários.
Entre os lesados estão Teresa André, que afirma ter perdido 60 mil kwanzas, e outra vendedora que contabiliza um prejuízo de 78 mil kwanzas. As duas garantem que grande parte dos comerciantes do mercado participava no esquema.
Rosa Francisca, cliente antiga, diz ter perdido três cartões, nos valores de 60 mil, 22 mil e 3 mil kwanzas. A comerciante esperava receber 120 mil kwanzas no último sábado.
Já Sandra afirma possuir um cartão no valor de 120 mil kwanzas, cujo pagamento também estava previsto para sábado.
“O senhor já era de confiança, não conhecemos a casa dele”, lamentou.
O comerciante João explica que a relação com o responsável pelo kixikila era baseada na confiança. “Registam e depois vais buscar o teu dinheiro. Se dás 30 dias, tiram mil kwanzas. Mas ele levou todo o dinheiro. Hoje, segunda-feira, deveria pagar toda a gente”, afirmou.
Outro vendedor diz ter perdido 100 mil kwanzas e explica que aderiu ao sistema informal devido às dificuldades no acesso aos serviços bancários.
Até ao momento, o paradeiro do comerciante é desconhecido. Os vendedores afectados pedem a intervenção das autoridades para localizar o responsável e esclarecer o destino dos valores entregues.




