Vendendoras informais denunciam ameaça de “tala” em mercados formais

Vendedoras informais que exercem actividade no bairro do Cassequele, no município da Maianga, em Luanda, denunciam alegadas ameaças de “tala” e actos de intimidação em mercados formais, situação que, segundo afirmam, tem dificultado a sua integração nos espaços autorizados pela administração local.
As zungueiras relatam que, ao tentarem ocupar bancadas nos mercados designados, enfrentam resistência de outras comerciantes já instaladas, que recorrem a alegadas ameaças verbais e pressão psicológica para afastá-las dos pontos de venda.
“Quando chegamos lá dizem logo que não há espaço para nós e começam as ameaças. Já ouvimos falar de ‘tala’ e isso assusta”, contou Maria António, vendedora de hortícolas.
Outra vendedora, identificada como Helena Domingos, afirma que o ambiente nos mercados é de tensão constante. “Não há diálogo. Só dizem que se insistirmos vamos ter problemas. Por isso muitas acabam por voltar para a rua”, disse.
Paralelamente, automobilistas que circulam ao longo da estrada do Cassequel do Lourenço também manifestam preocupação com a presença de vendedoras na via pública, apontando constrangimentos na circulação automóvel e riscos de acidentes.
“O trânsito fica complicado porque elas ocupam parte da estrada. Às vezes é preciso travar bruscamente para não haver acidentes”, relatou Paulo Francisco, condutor de táxi.
Outro automobilista, Joaquim Manuel, defende uma maior organização do espaço. “Não somos contra elas, mas ali na estrada cria engarrafamento e perigo para quem conduz”, afirmou.
As vendedoras, por sua vez, dizem que regressam às ruas por falta de condições de segurança e integração nos mercados formais, apesar das orientações para a retirada do comércio informal das vias públicas.
A situação expõe os desafios da reorganização do comércio informal em Luanda, num contexto em que as autoridades defendem a ocupação dos mercados como via para o ordenamento urbano e melhoria das condições de trabalho.
Até ao momento, a administração municipal da Maianga não reagiu às denúncias.



