Os quatro pacientes em estado grave, vítimas do acidente de viação ocorrido na madrugada de segunda-feira, na Estrada Nacional 100, na província do Cuanza-Sul, e posteriormente transferidos para o Hospital Especializado de Queimados Presidente Julius Nyerere, em Luanda, mantêm-se estáveis, 24 horas após o internamento.
A informação foi avançada, ontem, à imprensa pela directora-geral daquela unidade hospitalar, Yanessa Filipe, que assegurou não ter sido registado qualquer óbito entre os quatro pacientes internados nas últimas 24 horas. “Os quatro pacientes continuam estáveis, embora permaneçam em estado grave, sendo que um deles apresenta um quadro mais crítico. Todos continuam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, devido ao acidente que sofreram, poderão apresentar outras complicações para além das queimaduras”, explicou a médica cirurgiã. Paciente mais críticoEm relação ao paciente em estado mais crítico, o motorista do autocarro que colidiu com a motorizada de três rodas que transportava combustível, Yanessa Filipe explicou tratar-se de um doente com mais de 60 por cento da superfície corporal queimada, apresentando lesões de terceiro grau, de profundidade máxima. Segundo a responsável, foi realizada uma intervenção para libertação das áreas com maior inflamação, com o objectivo de evitar a isquemia nessas regiões do corpo. “Este quadro agrava muito a situação do doente, porque compromete a circulação sanguínea, impedindo uma distribuição adequada do sangue e dos líquidos pelo organismo”, acrescentou. “Neste momento, é um paciente ventilado e entubado, sob administração de drogas vasoactivas, que permitem melhorar a circulação sanguínea em toda a extensão corporal. Paralelamente, há necessidade de assegurar a cobertura cutânea através de curativos periódicos, com o objectivo de prevenir infecções”, explicou. MelhoriasQuanto aos outros três pa-cientes, por apresentarem um quadro clínico mais estável, a directora do hospital admitiu que, nas próximas horas, um ou dois vão poder ser transferidos para a enfermaria. Antes da transferência, será realizada uma avaliação completa do estado circulatório de cada paciente, tendo em conta as especificidades dos casos de queimaduras. Questionada sobre a previsão de altas, Yanessa Filipe afirmou que a prioridade é avaliar criteriosamente cada caso, uma vez que o quadro clínico de um queimado pode sofrer alterações súbitas, mesmo diante de uma aparente melhora. “Por isso, prevemos que, dentro de um ou dois dias, possamos libertar os primeiros pacientes, caso apresentem condições de saúde estáveis e aceitáveis”, explicou a médica. Desafios clínicosA médica cirurgiã reconheceu que o tratamento de pacientes com queimaduras é altamente complexo, exigindo cuidados especializados, alta tecnologia e protocolos clínicos rigorosos. “Por essa razão, contamos com uma equipa multidisciplinar, integrada por psicólogos, fisioterapeutas, anestesistas, intensivistas e outros profissionais de diferentes unidades hospitalares, que estão a reforçar o nosso atendimento”, revelou. O novo hospital, inaugurado no último sábado pelo Presidente da República, João Lourenço, já regista uma forte pressão assistencial, com a entrada de 40 doentes nas últimas 24 horas. Família aguarda recuperação de pacientes Enquanto os sobreviventes continuam sob cuidados médicos especializados, as famílias acompanham com expectativa e esperança a evolução do estado clínico dos seus parentes. É o caso de Josefa Guia, residente em Luanda e irmã do paciente em estado mais crítico. Em declarações ao Jornal de Angola, ela confirmou que o irmão era o motorista do autocarro da Macon envolvido na colisão com uma motorizada de três rodas que transportava combustível. Visivelmente abatida, Josefa contou que falou com o irmão pela última vez na véspera do sinistro, quando ele se preparava para a viagem até Porto Amboim, no Cuanza-Sul. “Quando soube do incidente, liguei para ele para obter informações, mas o número já não chamava. Só depois percebi que o acidente envolvia o autocarro que ele conduzia”, relatou. Segundo Josefa, esta é a primeira ocorrência do motorista, que nunca havia sofrido um acidente desde que entrou na empresa. “Só desejamos que o nosso irmão recupere. Vamos aceitá-lo de qualquer forma, cientes da gravidade das queimaduras que sofreu”, desabafou. Até à última actualização oficial das autoridades de Protecção Civil e Bombeiros, o balanço do trágico acidente na Estrada Nacional 100 (EN-100) mantém-se em 22 mortos e 12 feridos. No Hospital Geral do Cuanza-Sul, o cenário clínico registou uma evolução positiva, fixando o número de internados locais em dez após quatro dos seis pacientes assistidos terem recebido alta médica devido à melhora satisfatória do seu estado de saúde.




