Adolescentes descobrem nas artes novas formas de aprender e comunicar

Entre movimentos, palavras, gestos e sons, cerca de 40 crianças e adolescentes ocuparam, no fim-de-semana, um espaço de formação artística na cidade de Benguela, ávidos por aprender e experimentar novas formas de expressão.
Dos 6 aos 17 anos, os participantes deixaram, por algumas horas, a rotina habitual para descobrir no teatro, dança, música, poesia e nas artes plásticas outras maneiras de comunicar e conhecer o mundo. A iniciativa, que foi realizada no Museu Nacional de Arqueologia, esteve integrada nas actividades artísticas da 6ª. edição do Festival “Nzonji ya Monandengue”, que este ano teve a abertura na cidade das Acácia Rubras, e apresentou uma programação dedicada à formação e massificação das artes junto do público infanto-juvenil. Durante os exercícios de expressão dramática, a directora da Companhia de Artes Sol-CAS, Solange Feijó, observou a reacção dos participantes, que rapidamente se envolveram nas actividades. Para a responsável, o entusiasmo demonstrado pelas crianças confirma o potencial artístico existente na província e a necessidade de criar mais oportunidades para que esse talento possa ser desenvolvido. Solange Feijó considerou as crianças de Benguela talentosas, inteligentes e interessadas em aprender, defendendo a necessidade de uma aposta contínua na formação artística desde tenra idade.Na sua perspectiva, é importante que os jovens agentes culturais se organizem para trabalhar com as crianças, contribuindo não apenas para o desenvolvimento das suas capacidades artísticas, mas também para o conhecimento da diversidade cultural do país e para o desenvolvimento intelectual. A responsável defendeu ainda que o Estado deve reflectir sobre estratégias que permitam integrar as artes no processo de ensino desde os primeiros anos de escolaridade. Dar voz às criançasEm declarações ao Jornal de Angola, Solange Feijó explicou que o festival, realizado com o apoio do Ministério da Cultura, tem como principal finalidade massificar o contacto das crianças com diferentes disciplinas artísticas e criar oportunidades para aquelas que revelam interesse ou talento. “O objectivo passa por dar espaço e oportunidade à criança, uma vez que há poucos eventos para esta faixa etária. A companhia cria este palco de oportunidade para os beneficiários”, afirmou. A 6ª. edição do “Nzonji ya Monandengue” presta homenagem à professora e escritora Gabriela Antunes e assinala igualmente os 450 anos da cidade de Luanda, celebrados a 25 de Janeiro deste ano. Para chegar aos participantes, foi realizada uma audição. Segundo a organização, o número de crianças interessadas foi superior ao inicialmente previsto, mas a edição em Benguela foi estruturada para acolher 40 participantes. A procura, explicou Solange Feijó, revela a existência de uma necessidade que ainda não encontra resposta suficiente na província: a criação de espaços regulares onde crianças e adolescentes possam aprender e praticar diferentes manifestações artísticas. “Temos constatado que as crianças têm poucos espaços. Benguela tem poucos lugares para crianças que queiram fazer artes. O projecto, que conta com pessoas que fazem arte nas mais variadas modalidades, visa minimizar esta lacuna”, explicou. Talento para continuarAo longo dos dois dias de actividades, os participantes tiveram contacto com diferentes linguagens artísticas e demonstraram, segundo a organização, capacidade de aprendizagem e memorização dos conteúdos produzidos durante o festival. Actor Steve Quina defende artes desde a escolaO actor Steve Quina “Dr. Stive” considerou positiva a chegada do festival a Benguela, por entender que a iniciativa pode incentivar outros agentes culturais a desenvolver projectos destinados às crianças. Para o actor, o contacto precoce com as artes permite despertar talentos, desenvolver capacidades e ampliar o conhecimento sobre a diversidade cultural do país. Steve Quina defendeu, por isso, a implementação das artes no currículo escolar desde o ensino primário, considerando que o teatro, música, dança e outras linguagens podem contribuir para o desenvolvimento intelectual, criativo e social das crianças. Depois de Benguela, o “Nzonji ya Monandengue” prossegue a programação em Luanda, onde vai terminar com uma actividade no Palácio de Ferro, de 14 a 16 de Agosto, reunindo cerca de 400 participantes durante três dias.


