Peça de teatro apresenta bravura dos ignorados

O valor daqueles que são frequentemente ignorados ou sub-estimados pela sociedade esteve no centro de espectáculo “Não é Kibinganu”, apresentado pelo grupo Amazonas Teatro, no Elinga Teatro, em Luanda, no âmbito da 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT).
A partir da história bíblica de Davi, filho mais novo de Jessé, inicialmente colocado à margem pelos próprios familiares, mas escolhido para cumprir uma missão maior, a criação constrói uma reflexão sobre identidade, potencial e reconhecimento. A narrativa bíblica serve de ponto de partida para questionar a forma como a sociedade olha para aqueles que não correspondem às expectativas ou que são considerados menos importantes. Em palco, a dramaturgia encontrou na luz, na cenografia e no movimento os elementos para construir uma linguagem marcada pela intensidade e expressividade. Entre palavras, silêncios, luzes e sombras, os intérpretes conduziram o público, na sexta-feira, por diferentes momentos de tensão e emoção, dando ao espectáculo uma dimensão que ultrapassou a narrativa de origem. A presença do grupo de dança Kupulu Njila acrescentou outra camada à criação. O corpo e o movimento passaram a funcionar como instrumentos de expressão, memória e identidade, estabelecendo um diálogo entre a representação teatral e a dança. A conjugação das duas linguagens contribuiu para ampliar a dimensão performativa de “Não é Kibinganu”, numa proposta que procurou envolver o público não apenas através da palavra, mas também da imagem, do movimento e da força simbólica dos corpos em cena. No fim da apresentação, o Secretário Nacional para a UNESCO – Angola, Alexandre da Costa, procedeu à entrega do troféu de participação ao Amazonas Teatro, num momento que assinalou a presença do grupo na programação do CIT.


