O legado musical da lendária cantora e compositora Lilly Tchiumba foi revisitado na noite de quinta-feira no Palácio de Ferro, em Luanda, pela artista Afrikkanitha, durante um concerto em homenagem a esta estrela da música angolana.
Em quase duas horas de espectáculo, acompanhada por uma banda de músicos jovens talentos, Afrikkanitha explorou o repertório da homenageada e, à medida que foi explorando as músicas, apaixonava-se, pois a cantora dispõe de uma vasta e interessante discografia. No alinhamento do concerto, constaram, entre outros, temas como “N’Zambi é Deus”, Ngungo Giami (Aiué Mame), Paxi Ni Ngongo, Madie Dia Muxima, Nga Muembela Kia, Kilumba Yami, Dilagi Bu Kanga (Unga We) e Monami, interpretados na voz de Afrikkanitha, recordando este grande ícone da música angolana Um dos momentos distintos do concerto foi a versão de “N’Zambi é Deus”, que teve uma interpretação extraordinária da anfitriã da noite, deixando a assistência rendida ao génio de Lilly Tchiumba. Em declarações à imprensa, Afrikkanitha explicou que a iniciativa surgiu em 2023, depois de ter sido desafiada por um amigo empresário, proprietário do Resort Kahombo, em Malanje, a interpretar canções de Lilly Tchiumba, e da necessidade de homenagear figuras marcantes da música angolana. “Estamos aqui hoje porque outras pessoas existiram antes de nós. Em qualquer sociedade, a passagem do legado é fundamental”, sublinhou a cantora, apontando para que essas mulheres não possam ser esquecidas, pelo que é preciso reviver a sua memória e valorizar o que deixaram. Lilly Tchiumba iniciou a carreira artística aos 21 anos, na província do Uíge, alcançando rapidamente reconhecimento pelas actuações a solo. Tornou-se uma das figuras de maior destaque da música angolana nas décadas de 60 e 70, tendo participado, em 1969, no Festival RTP da Canção, em Lisboa. Era irmã do pintor e músico Eleutério Sanches e do músico Carlos Sanches, com quem viria a gravar dois discos. Em 1973, Lilly Tchiumba editou o único álbum da carreira, “N’Zambi é Deus”, obra que permanece como um dos marcos da música popular angolana. * Com Angop




