O Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, foi distinguido com o “Prémio Legado E.O. Wilson para Liderança Transformadora na Conservação”, em reconhecimento de mais de duas décadas de recuperação ecológica de um dos mais importantes ecossistemas africanos, devastado durante a guerra civil moçambicana.
O galardão destaca uma abordagem que associa a protecção da biodiversidade ao desenvolvimento das comunidades locais.
A distinção foi entregue a 12 de Outubro, durante o Half-Earth Day 2026, realizado no Sanders Theatre da Universidade de Harvard, em Cambridge, nos Estados Unidos da América. O parque sucede ao actor norte-americano Harrison Ford, vencedor da primeira edição do prémio, em 2025.
Aurora Malene, presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa, recebeu o galardão em representação dos cientistas, fiscais e restantes equipas que trabalham na conservação da área protegida e no apoio às comunidades vizinhas.
Criado em 2025 pela Fundação E.O. Wilson para a Biodiversidade, o prémio distingue pessoas e organizações que se destacam na conservação da natureza e na implementação de iniciativas com impacto duradouro na protecção dos ecossistemas.
A dimensão do trabalho desenvolvido na Gorongosa é evidenciada pela extensão das perdas provocadas pelo conflito armado. Entre 1972 e 2000, o parque perdeu mais de 90% dos seus grandes animais, em resultado da guerra civil e das suas consequências, que comprometeram gravemente a fauna e o equilíbrio ecológico da região.
Desde o lançamento do projecto de restauração, desenvolvido em parceria com o Governo moçambicano e a Fundação Carr, a área protegida tem registado progressos na recuperação da fauna bravia, na investigação científica e no envolvimento das comunidades locais. O modelo de intervenção procura conciliar a regeneração dos ecossistemas com a criação de condições para que as populações beneficiem da conservação dos recursos naturais.
Durante a cerimónia, Harrison Ford destacou o trabalho realizado na Gorongosa e considerou merecido o reconhecimento atribuído às equipas que, ao longo dos anos, têm contribuído para a recuperação do parque.
Aurora Malene, por sua vez, defendeu uma visão de conservação que ultrapassa a protecção das espécies e dos habitats. Segundo a responsável, os resultados devem também ser medidos pelas oportunidades criadas para as populações locais, através de iniciativas nas áreas da educação, saúde, agricultura e desenvolvimento comunitário.
A distinção reforça a projecção internacional da Gorongosa como exemplo de recuperação ambiental em África e evidencia a crescente importância de modelos de conservação que articulam a protecção da biodiversidade com o desenvolvimento socioeconómico.




