O Ministério da Cultura e a Academia Angolana de Letras (AAL) decidiram, na quinta-feira, em Luanda, alinhar uma estratégia, com vista à promoção da produção da literatura nacional e promover o livro e a leitura no país.
A intenção foi manifestada à imprensa, no fim do primeiro encontro entre o Departamento Ministerial e a Academia Angolana de Letras, realizado no salão nobre do Ministério da Cultura, onde foi analisado o projecto sobre a promoção do livro e da leitura, assim como da investigação científica, uma vez que a AAL promove essa área do saber.
Em declarações à imprensa, o ministro da Cultura, Filipe Zau, disse que o encontro serviu também para descobrir caminhos e estratégias comuns, a fim de trabalhar no futuro com a finalidade de divulgar a cultura em várias áreas, como a Literatura, no geral, e a Científica.
O governante fez saber que o Ministério da Cultura dispõe de meios financeiros para apoiar a academia, sobretudo na produção de livros, de acordo com a sua planificação.
Filipe Zau frisou que a Academia Angolana de Letras tem produzido vários trabalhos, mas estão com dificuldade em divulgá-los, acrescentando que estão a consertar ideias que agradem às duas instituições, acima de tudo, ao país e às pessoas que necessitam da leitura.
Para o presidente da AAL, Paulo de Carvalho, uma das grandes preocupações foi a atribuição do estatuto de Utilidade Pública à academia por parte do Executivo. A academia, sublinhou, completa 10 anos de existência no próximo mês e está há oito anos à espera de uma resposta positiva sobre esse pedido.
A outra inquietação, realçou, é a questão dos apoios que o Executivo deve dar às associações parceiras. Para Paulo de Carvalho, a AAL não recebe recursos financeiros do Estado, apesar de já ter havido acordo a nível da Assembleia Nacional neste sentido, mas sem sucesso.
O presidente da AAL frisou que a actual direcção da instituição que dirige tem um programa que já está quase a meio do seu mandato, que não consegue executar, a destacar o cânone literário e o padrão linguístico do português de Angola, uma missão que, nos outros países, são assumida pelas academias de Letras.
Fundada a 28 de Março de 2016, com sede em Luanda, a Academia Angolana de Letras trabalha actualmente com recurso às quotas dos seus membros, que tem limitado as suas acções. A AAL é uma associação cultural e científica sem fins lucrativos, que promove o estudo da língua portuguesa e das línguas nacionais angolanas, bem como edita obras literárias e promove debate sobre questões ortográficas e históricas do país.
Os principais objectivos e actividades são o estudo linguístico, incentivo ao ensino e à pesquisa da língua portuguesa e das línguas locais, debatendo normas e variações linguísticas.
Na produção literária, a AAL edita e divulga textos de valor histórico, científico e literário. No que diz respeito a eventos culturais, promove colóquios, conferências e ciclos de debates, com destaque para as “Conversas da Academia à Quinta-feira”.




