O artista plástico Luís Mário “Kaumba” inaugura, hoje, a partir das 19h00, na Galeria Tamar Golan, em Luanda, a exposição individual “Entre o Lixo e a Luz”, propondo uma reflexão sobre questões ambientais, sociais e urbanas.
Por intermédio das peças, Kaumba explora a capacidade que tem na arte e transforma os materiais descartados em objectos de expressão artística de contemplação. Pela reutilização de resíduos, o artista questiona os conceitos de desperdício e valor, bem como destruição e reconstrução.
O criador atribui novos significados a materiais aparentemente sem utilidade e apresenta uma linguagem visual marcada pela experimentação, improviso e criatividade. Nas peças, o artista traz elementos como mapas, figuras humanas e outras referências simbólicas.
A mostra evidencia uma prática artística que alia a investigação estética à consciência ambiental, demonstrando como a reutilização de materiais pode constituir não apenas uma resposta criativa ao desperdício, mas também uma forma de questionar realidades sociais e promover novas perspectivas sobre o mundo contemporâneo.
De acordo com o texto crítico do artista plástico Paulo Amaral, a exposição apresenta um conjunto de obras que emerge da necessidade de criar, sobreviver e renascer, e, por via da reutilização de materiais descartados, transforma resíduos em objectos de contemplação e questionamento.
Para Paulo Amaral, o artista desenvolve uma linguagem própria nas obras, e, assente no improviso, criatividade e na capacidade de encontrar novas possibilidades estéticas em cada material utilizado.
“As suas obras não se limitam à representação formal, mas constituem testemunhos de resiliência e de uma profunda consciência sobre os desafios ambientais e sociais do nosso tempo”, revelou.
Nesta exposição, reforçou, cada peça revela um processo de metamorfose em que a matéria abandonada ganha vida e significado e constrói narrativas que evocam identidade, pertença, transformação e esperança.
“O lixo deixa de ser apenas um resíduos e torna-se memória, expressão e possibilidade”, ressaltou.
O trabalho de Kaumba, prosseguiu, inscreve-se numa prática artística que dialoga com as questões contemporâneas da sustentabilidade, sem perder a ligação das realidades culturais e humanas do país.
“O seu olhar sensível e crítico convida o público a repensar a relação com os objectos, ambiente e consigo próprio, demonstrando como a arte pode emergir dos contextos mais improváveis para revelar beleza, consciência e renovação”, concluiu.




