O teatro foi a grande estrela da noite de encerramento da 11ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT 2026), realizada sábado à noite, no Royal Plaza Hotel, em Luanda, onde os aplausos ganharam força e, por algumas horas, o palco deu lugar à celebração.
Com o ambiente de uma verdadeira gala de distinção, a cerimónia encerrou mais uma edição do CIT sob o signo do reconhecimento. Entre vestidos de gala, homenagens, troféus e encontros entre artistas e fazedores da cultura, o local foi, em mais uma edição, palco de celebração das artes cénicas.
Entre os grandes protagonistas da noite esteve o Teatro Feloma Musanzala, que adopta como lema “Fazer Teatro Rumo ao Progresso”. O grupofoi distinguido pelo trabalho desenvolvido em torno da investigação cultural, da formação de novos artistas e da valorização da identidade angolana por meio do teatro.
A consagração do grupo confirmou a força de uma trajectória construída com dedicação, pesquisa e persistência. Para o director e actor do Feloma Musanzala, Manuel Mateus, o reconhecimento teve um significado especial.
Identidade cultural como matéria-prima
Para o encenador, um dos maiores desafios do grupo passa precisamente por preservar a ligação entre a criação teatral contemporânea e a identidade cultural do país.
O processo, disse, começa muito antes de o actor entrar em cena. A investigação de temáticas tradicionais, o trabalho de laboratório e a procura por referências culturais fazem parte da construção das peças.
Noite de homenagem para quem fez história
A cerimónia também reservou espaço para reconhecer personalidades cujo percurso se cruza com a história das artes e da cultura em Angola.
Entre os homenageados esteve o vice-governador para o Sector Político e Social, Manuel Gonçalves, que recebeu a distinção como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos em defesa das artes e da cultura. Emocionado, recebeu a homenagem como resultado de uma caminhada marcada pela dedicação.
“É gratidão, acima de tudo por causa do reconhecimento daquilo que é fruto do trabalho. Por mais singela que pudesse ser essa homenagem, agradeço de coração”, concluiu.
Festival prepara nova etapa de espectáculos para o Namibe
O director Executivo do Circuito Internacional de Teatro, Adérito Rodrigues “BI”, anunciou que os trabalhos para a extensão das actividades da programação da 11ª edição, continuam, com a criação de condições que pretende levar os espectáculos e formação à província do Namibe, que vai receber a segunda e última etapa de 12 a 18 do mês em curso.
O Namibe, disse, surge como uma das principais apostas da próxima etapa de expansão do circuito. A organização prevê que cerca de 60 por cento da programação seja assegurada por grupos locais, enquanto os restantes 40 por cento sejam preenchidos por grupos provenientes de outras províncias, numa estratégia de intercâmbio artístico e descentralização cultural.
“A ideia é dar primazia aos grupos da casa. A província em destaque vai beneficiar na questão da produção e dos espectáculos”, explicou Adérito Rodrigues.
A aposta não fica limitada aos palcos. Segundo o responsável, a programação no Namibe deve incluir cursos de Produção, Construção de Projectos Culturais, Direcção Cénica e Interpretação.
Um palco de oportunidades
Apesar das distinções atribuídas, durante a cerimónia, a organização reforça que o CIT não se assume como um simples festival. É, sobretudo, segundo Adérito Rodrigues, uma celebração do teatro e um espaço de encontro, formação e oportunidade para artistas de diferentes gerações e nacionalidades.
Segundo Adérito Rodrigues, entre 15 e 20 por cento das vagas são reservadas anualmente a grupos novos, para permitir a entrada de novos talentos no circuito.
“É um palco de oportunidades. Há uma equipa que faz visitas, conversa com os artistas e percebe a perspectiva daquilo que se quer. Vão também, enquanto pessoas de carreira, ajudar e orientar no sentido de trazer qualidade para o Circuito Internacional de Teatro”, destacando que a qualidade artística e a capacitação, disse, continuam a ser critérios fundamentais na escolha dos participantes.
Personalidades que marcaram a noite
A 11ª edição do CIT 2026 distinguiu artistas e grupos em cinco categorias principais: Prémio Carreira, Melhor Actor, Melhor Actriz, Grupo Popular e Grupo CIT.
Na categoria Grupo CIT 2026 Angola Telecom, foram nomeados Catarcis Teatro, Feloma Musanzala e Ketua Nzambi Teatro. Para Grupo Popular CIT 2026 Angola Telecom, concorreram GTK, Feloma Musanzala e Ketua Nzambi Teatro.
Na categoria Actriz CIT 2026 Angola Telecom, estiveram nomeadas Sandy Manuel, do Catarses Teatro; Josefina Lengo, do Afro Teatro; e Joana da Costa, do Ketua Nzambi Teatro. O Prémio Ubuntu foi atribuído ao grupo Feloma Musanzala.
Na categoria Actor CIT 2026 Angola Telecom, os nomeados foram Luís Fernando “HB”, do Amazonas Teatro; Elias Serafim, do Ketua Nzambi Teatro; e Leonel António, do Tuassakidila.
A noite contou ainda com a atribuição do Prémio Carreira CIT, entregue à actriz Isabel André, com uma carreira que soma quatro décadas, considerada uma das vozes mais consistentes e influentes do teatro no país. O Prémio Revelação CIT Só Casas, foi atribuído a Jucilda Neves da Silva.
Já a distinção de Melhor Homenagem à Cidade de Luanda reconheceu os grupos Catarses Teatro, Ketua Nzambi Teatro e UniLuanda.




